Tela de minha autoria

*

 

MESMO QUE O MEU MENINO PARTA EM MAIO


Sou a perfeita esposa do senhor:

Lavo e teço os poemas das manhãs,

Amasso o pão-de-deus da minha dor,

Encho os silos de trigo e de maçãs

*

 

 Pinto a cor da fartura nas auroras

E derramo a alegria de ser eu

Quando me deito à noite, fora de horas,

Em lençóis onde a lua adormeceu

*

 

Sou casta, sou serena e sendo velha

(quantos milénios nesta minha vida?)

Há uma luz em mim, como se um raio

*

 Me tivesse enviado uma centelha

Que me legasse a graça de uma ermida

(mesmo que o meu menino parta em Maio)

*

 

©Maria João Brito de Sousa

 

 01.02.2008 

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