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MESMO QUE O MEU MENINO PARTA EM MAIO
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Sou a perfeita esposa do senhor:
Lavo e teço os poemas das manhãs,
Amasso o pão-de-deus da minha dor,
Encho os silos de trigo e de maçãs
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Pinto a cor da fartura nas auroras
E derramo a alegria de ser eu
Quando me deito à noite, fora de horas,
Em lençóis onde a lua adormeceu
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Sou casta, sou serena e sendo velha
(quantos milénios nesta minha vida?)
Há uma luz em mim, como se um raio
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Me tivesse enviado uma centelha
Que me legasse a graça de uma ermida
(mesmo que o meu menino parta em Maio)
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©Maria João Brito de Sousa
01.02.2008


Encantador poema.
ResponderEliminarUm abraço.
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