CONVERSANDO COM CAMÕES IV
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CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO IV
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QUANDO DA BELA VISTA E DOCE RISO
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Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão elevado sinto o pensamento,
Que me faz ver na terra o Paraíso.
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Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento;
Assim que em termo tal, segundo sento,
Pouco vem a fazer quem perde o siso.
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Em louvar-vos, Senhora, não me fundo;
Porque quem vossas graças claro sente,
Sentirá que não pode conhecê-las.
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Pois de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, dama excelente,
Que quem vos fez fizesse céu e estrelas.
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Luiz de Camões
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Resposta da dama
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"Que quem me fez fizesse céu e estrelas"
Seria de estranhar, vo-lo garanto,
Já que longínquo vejo o negro manto
Onde, brilhantes, pulsam todas elas...
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Se confundis as vestes amarelas
De que me cubro com essoutro encanto,
Decerto cego estais... e tanto, tanto,
Que credes ver em mim o brilho delas!
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Não vos fundeis em me louvar assim
Porque bem mais depressa me afastais,
Ou eu vos faço, a vós, fugir de mim
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Tanta lisonja é já lisonja a mais,
Aconselho-vos pois a pôr-lhe um fim:
Ide! Ide ao céu colher o que buscais!
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Mª João Brito de Sousa
17.02.2024 - 14.00h
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O soneto de Luiz Vaz de Camões foi recolhido
do Blog Sociedade Perfeita


Bom e belo Fim de Semana em toda a harmonia MJ, beijinhos.
ResponderEliminarMuito bom vê-la conversar com Camões , isso é empolgante !
ResponderEliminarPasso cedinho na sua casa para deixar um abraço cheinho de admiração e saudade.
Bons dias MJoão e que a musa lhe dê muita inspiração conjugada com saúde e bem estar . Beijinhos da Lis .