CANTANDO COM CAMÕES XVIII
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CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XVIII
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TODO ANIMAL DA CALMA REPOUSAVA
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Todo animal da calma repousava,
Só Liso o ardor dela não sentia:
Que o repouso do fogo, em que ele ardia,
Consistia na Ninfa que buscava.
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Os montes parecia que abalava
O triste som das mágoas que dizia:
Mas nada o duro peito comovia,
Que na vontade de outro posto estava.
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Cansado já de andar pela espessura,
No tronco de uma faia, por lembrança
Escreve estas palavras de tristeza:
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Nunca ponha ninguém sua esperança
Em peito feminil, que de natura
Somente em ser mudável tem firmeza.
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Luíz de Camões
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(Natércia, confrontando Liso)
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Se prometi mostrar-me, aqui me vedes
Que o que prometo cumpro. Não ouseis
Escrever sobre quem sou quanto escreveis
Que irada me vereis se em mim não credes!
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Em outro quis matar as minhas sedes
- bem mais as sedes podem do que as leis -
Não mas matou! Se vós mas matareis,
Nem vós sabeis... Talvez se mas beberdes...
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Vedes a rosa aberta em meu jardim?
Senti, tocai-lhe o róseo gineceu
E entrai, Liso, matai a sede em mim
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Que quão mais a matais, mais gozo eu!
Ai, Liso, que esta sede não tem fim...
Parai, Liso, parai que já morreu!
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Mª João Brito de Sousa
05.03.2024 - 13.00h
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O soneto de Camões foi retirado do Blog
Sociedade Perfeita

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