CANTANDO COM CAMÕES XVIII

 


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CONVERSANDO COM CAMÕES NO SEU QUINGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO XVIII
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TODO ANIMAL DA CALMA REPOUSAVA
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Todo animal da calma repousava,

Só Liso o ardor dela não sentia:

Que o repouso do fogo, em que ele ardia,

Consistia na Ninfa que buscava.
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Os montes parecia que abalava

O triste som das mágoas que dizia:

Mas nada o duro peito comovia,

Que na vontade de outro posto estava.
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Cansado já de andar pela espessura,

No tronco de uma faia, por lembrança

Escreve estas palavras de tristeza:
*


Nunca ponha ninguém sua esperança

Em peito feminil, que de natura

Somente em ser mudável tem firmeza.
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Luíz de Camões
***


(Natércia, confrontando Liso)
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Se prometi mostrar-me, aqui me vedes

Que o que prometo cumpro. Não ouseis

Escrever sobre quem sou quanto escreveis

Que irada me vereis se em mim não credes!
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Em outro quis matar as minhas sedes

- bem mais as sedes podem do que as leis -

Não mas matou! Se vós mas matareis,

Nem vós sabeis... Talvez se mas beberdes...
*


Vedes a rosa aberta em meu jardim?

Senti, tocai-lhe o róseo gineceu

E entrai, Liso, matai a sede em mim
*


Que quão mais a matais, mais gozo eu!

Ai, Liso, que esta sede não tem fim...

Parai, Liso, parai que já morreu!
*



Mª João Brito de Sousa

05.03.2024 - 13.00h
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O soneto de Camões foi retirado do Blog



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