BARCA, A BELA
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BARCA, A BELA
*
Fraca barca, a dos cuidados
De quem tema naufragar
Antes da maré galgar
Seus porões quase inundados
*
Aporta, barca, ao teu cais,
Leva a alma até Almeida,
Escreve a tua própria Eneida
Na fúria dos temporais!
*
Fraca barca, a que afundar
Antes dos ventos irados
Destruírem seus costados
Até o mastro tombar!
*
Voa, barca! Iça, barqueiro,
O cordame à bujarrona,
Mantém-me esta barca à tona
Da tinta do meu tinteiro
*
Firma-te bem, timoneiro
Ao leme da barca bela,
Que o vento que açoita a vela
É um sopro... e passageiro
*
Fracos sois, ó embarcados,
Se vos deixais afogar
Antes do vento deixar
Vossos estros inspirados!
*
Maria João Brito de Sousa
22.06.2020 - 10.40h
***


Grande estória. A musicalidade deste poema é simplesmente fantástica.👍👍👍👍👍👍
ResponderEliminarMuito obrigada, amigo José da Xã :)
EliminarO segredo da poesia clássica ou, neste caso, da quadra em redondilha maior, está mesmo naquilo que eu escrevi esta tarde quando comentei o seu poema no seu novo blog, e a musicalidade é absolutamente essencial neste tipo de poesia.
Como ainda não aprendi a "pescar" esses imogis, vou roubar os seus :)
Um abraço 👍👍👍👍👍👍
Em que barca navegamos?
ResponderEliminarE eu que não sei nadar!
Um abraço.
L
Navegamos na Barca da Justiça e da Vontade, L.
EliminarNão se preocupe: não sabe nadar, mas eu sei e deito-lhe a mão :)
Outro abraço!