QUE PODE O VENTO FAZER?
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Imagem Pinterest
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QUE PODE O VENTO FAZER?
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Que pode o vento fazer
Pra expressar moderação
Se o seu destino é correr
De alta pra baixa pressão?
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Às vezes manso, calminho,
Deixa em nós uma frescura
Que torna leve o caminho
Quando o calor nos tortura
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Outras, porém, de rajada,
Sem cuidar do mal que faz,
Leva tudo de abalada,
Não pára nem nos dá paz!
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Mas... que pode, então, fazer
Um pobre dum furacão
Se nunca faz o que quer
E em si próprio não tem mão?
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Um dia, sentes-lhe a falta:
Faz calor e ele adormece
Mas logo se sobressalta
E o pé-de-vento acontece
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Rouba a roupa ao teu estendal
E chicoteia-te o rosto
Não qu`rendo fazer-te mal
Nem provocar-te desgosto...
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É assim por natureza
O vento que reconheces
E que te abala a certeza
De seres tudo o que pareces...
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Como posso maldizer
Sem ponta de compaixão
Quem nem sequer tem poder
Pra mudar de direcção?
*
Maria João Brito de Sousa
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Portugal

Já escrevi um livro chamado "A solidão é como o vento". Acho que é mesmo. Se é só uma brisa não se sente, mas se é um vendaval até faz estremecer o pensamento. Gostei muito do seu poema, minha Amiga Maria João.
ResponderEliminarDesejo que esteja bem.
Uma boa semana.
Um beijo.
Um poema muito bonito!
ResponderEliminarUm abraço.
Belo poema, retratando o vento com perfeição.
ResponderEliminarA mim, hoje, impediu-me de sair
eu que desde sábado não saio de casa.
Só queria ir à farmácia, embora não seja urgente
A chuva qua caía violenta, não era impedição
Mas do vento tenho medo e, para quem me conhece,
Não creio que tal seja segredo!!
Beijinhos, Mª João!
Sempre de excelência. Obras de Arte públicas que o SAPO quer queimar! Saúde e paz.
ResponderEliminarDiacho do Vento
ResponderEliminarsempre em movimento
Bela terça MJ, beijinhos
Viva boa noite:
ResponderEliminarComo saberei eu
Comentar este poema?
Um texto onde um véu
Voa para lá do tema.
Simplesmente perfeito!´
Permita-me Maria João uma simples questão: como pode alguém não gostar de poesia?
Como se sente hoje?
As suas francas melhoras.
Boa tarde Maria João
ResponderEliminarHoje não foi soneto, mas, este poema constrói uma belíssima metáfora sobre a condição de existir sem pleno domínio sobre si. O vento surge como personagem central Pelo contrário: há nele uma humanidade subtil, quase comovente, que nos convida à empatia.
A estrutura rimada e o ritmo fluido acompanham o próprio movimento do vento, alternando entre a leveza e a brusquidão, sem nunca perder clareza ou musicalidade.
Destaca-se, sobretudo, a forma como o poema questiona a ideia de culpa e responsabilidade: como condenar aquilo que não escolhe, que apenas cumpre a sua natureza?
O verso final ecoa como reflexão ética e emocional, alargando o sentido do poema para além do fenómeno natural fala também de nós, das nossas rajadas internas, das vezes em que somos julgados sem que nos seja reconhecida a falta de controlo sobre certas direcções da vida.
Um poema simples na forma, mas profundo na intenção, que nos lembra que compreender é, muitas vezes, um gesto mais justo do que julgar.
Boa semana com saúde.
Deixo um beijo
:)
Um belo poema, e uma belíssima imagem daquilo que é a vida humana...
ResponderEliminarMuito a propósito, esta reedição.
Saúde!
Um beijo