DEZASSETE DE JANEIRO

Fotografia de Carlos Ricardo

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DEZASSETE DE JANEIRO
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Irei desintegrar-me em dez segundos
Após a conclusão do que decreto
Aqui, preto-no-branco a branco e preto,
Em caracteres ousados e rotundos
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Há vermes a soltar viscos imundos
Sobre o que já foi sonho e foi projecto
E agora pode ser o mais abjecto
Dos actos sujos, vis, nauseabundos...
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Nada de novo aqui, neste poema:
Bem melhor abordou o mesmo tema
Henriques Britto, o bom soneticida
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Que no seu "Dezanove de Janeiro"
Fuzilou um soneto passageiro
Meteu-se na "bagnole" e fez-se à vida.
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Maria João Brito de Sousa

Portugal
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Inspirado no soneto "Dezanove de Janeiro" do poeta brasileiro Paulo Henriques Britto

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Bagnole - automóvel, veículo de 4 rodas ou carripana em francês

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