CRUZANDO O RUBICÃO
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CRUZANDO O RUBICÃO
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Já terão todos migrado
Deste bairro hoje fantasma?
Serei eu um ectoplasma
Que expirou sem ter notado?
Está vazia, a casa ao lado...
No Sapal paira o miasma
De uma solidão que pasma
O mais bem acompanhado...
Que é do sapinho encantado
Que tanto me entusiasma?
*
Percorro as ruas vazias...
Nem o vento me acompanha
Nesta caminhada estranha
E as horas tornam-se frias,
Pesadas como manias
Que alguém, tendo, não detenha
Por ser tarefa tamanha
Que só as melancolias
A igualam, nalguns dias
Em que alguma em nós se embrenha...
*
Nem vivalma! E percorri
O Sapal todo inteirinho
Sem vislumbrar um sapinho
Dos tantos que havia aqui...
Nem notei mas, sim, morri
E este é um outro caminho,
O tal que se faz sozinho
Quando nos vamos daqui...
Não fui eu que decidi
E, para trás, deixo um ninho
*
Mas não tenho alternativa...
Não posso dizer que não
Estando em decomposição
O corpo no qual fui viva
E, hoje, sou alminha à d`riva...
E agora? Que direcção
Me aponta este coração
Que não pulsa, nem cativa?
Espero encontrar comitiva
Que me leve ao Rubicão!
*
Mª João Brito de Sousa
17.01.2026 - 14.20h
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À Musa não lhe falta inspiração. O Sapal é que está muito calado, muito triste por ter sido abandonado.
ResponderEliminarNoite tranquila, Marai João!
Um abraço.
Obrigada, Cheia.
EliminarA Musa está furiosa por ser obrigada a emigrar e, quando se enfurece, encontra sempre maneira de desabafar e espetar umas farpinhas...
Bem, amanhã é dia de ir às urnas, não se esqueça!
Outro abraço
Nunca me esqueço. Já basta os anos em que não me deixaram votar. Em 1969, na tropa, tive de me recensear, depois fui para Angola, desconfio que tenham votado por mim.
EliminarUm abraço.
Nesse tempo, os votos forjados eram uma coisa tão comum quanto beber um copo de água, Cheia.
EliminarTodos o sabíamos mas não podíamos deixar transparecer o que sabíamos sob pena de sermos imediatamente detidos.
Outro abraço
Poetando de excelência, pondo o dedo na ferida.
ResponderEliminarJá quase toda a gente abalou.
Até breve. Obrigado pela partilha.
Boa noite, Francisco.
EliminarEu ainda estou como o tolo no meio da ponte... Iniciei a viagem e parei no limbo. Tenho raízes tão profundas do lado de cá...
Até breve!
Saúde e PAZ
Teu poema
ResponderEliminarme lembra
um sapo que engoli
e se o Sapal está deserto
sorte a minha, pois percebi
que meu voto está certo
Obrigado pelo teu poema-aviso
Eu sei, neto meu, eu sei. Também engoli esse mesmíssimo sapo...
EliminarEste poema pode ter mais do que um sentido e o que mencionas é um deles.
O teu voto é o voto correcto e é o meu também!
Bjs da tua avó mainova