IMPACTO AMBIENTAL - Reedição
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IMPACTO AMBIENTAL
*
Às pragas e palavrões,
Troquei-os por dois perdões
Num dia de tempestade:
Sopravam estranhas monções
E nenhuma alma se evade
À Santíssima Trindade
Quando enfrenta vagalhões...
*
Pedi, portanto, perdão
Por, não tendo para o pão,
Ter-me feito ao meu caminho...
Não ouvi nem sim, nem não,
Que o mar em redemoinho
Cuspiu torreões de linho
Sobre a minha embarcação...
*
Perdão!, supliquei ao mar...
Tanto dava suplicar
Quanto dava estar calado:
Ninguém me veio ajudar
E o mar redobrava o brado
Tumultuoso e zangado,
Sem tempo pra perdoar...
*
Os perdões então pedidos,
Não me foram concedidos,
Que isso tenho por bem certo!
Dizem sábios e sabidos
Que estando o céu encoberto,
Entra o mar em desconcerto
E nem a Deus dá ouvidos...
*
Nada podendo fazer
Sem ninguém pra me valer,
Morri nesse exacto dia
À hora do recolher,
Aos toques de Avé Maria:
O mar me absolveria
Pragas, pecados e ser...
*
Morri tal como os demais,
Mas sem protestos, nem ais,
Porque posso garantir
Que nos momentos finais,
Mesmo à beira de partir,
Me calei pra reduzir...
Impactos ambientais!
*
Maria João Brito de Sousa
29.07.2018 – 17.12h
***
Poema ligeiramente reformulado

ResponderEliminare mai nada
Bom e belo dia, belo resto de Semana, bom dia MJ, beijinhos
Olá,
EliminarEm casa, em casa com a Mistral que os bombeiros não me contactaram nem me vieram buscar para ir fazer a tal intervenção de limpeza às lentes implantadas. Não posso, há muitos anos, andar de transportes públicos nem tenho dinheiro para ir de táxi para o hospital...
Mas paciência, não foi hoje, há-de ser mais para o Inverno...
Beijinhos
Para esse crime não há perdão.
ResponderEliminarUm abraço.
Bom dia, Cheia.
EliminarNa realidade, não há mesmo perdão para este crime, mas este poema é todo ele uma caricatura, uma brincadeira travestida de tragédia... Afinal que náufrago, à beira de se afundar num mar tempestuoso, deixaria de gritar por socorro para que os decibéis do seu grito não ultrapassassem os limites impostos por lei?
Deveria estar hoje no hospital, mas o transporte de doentes não urgentes não me veio buscar e eu há anos que não estou em condições de utilizar os transportes públicos...
Um abraço
Ler, reler, repetir o ler e o reler...
ResponderEliminarFucaria por aqui - mesmo prejudicando o ambiente - a digerir esta "inveja", pois sonho ser um dia tão poeta como meia Maria João (igual a ti não seria sonho, mas utopia).
Beijos nossos, com aquele abraço também!
Olá meu querido amigo anónimo, Carlos Fragata
EliminarEsqueceste-te de assinar, mas eu conheço bem tanto a tua poesia quanto os teus comentários...
Esta tua velha amiga deveria estar agora no hospital a fazer uma limpeza YAG a laser, mas o transporte não me veio buscar e fiquei aqui presa com a Mistral que ontem teve um tremendo ataque de tosse e, hoje, continua tão sonolenta quanto a Bela Adormecida, apesar dos bons resultados das analises.
Estava agora a imaginar uma eu do tamanho de metade de mim, agarrada ao andarilho com rodas ... naaa, não queiras ser metade deste caco velho que sou
Beijos, muitos, para ti e para a Tila