AOS QUE SE ACENDEM NA LUTA - Reedição

tela de Álvaro Cunhal (1).jpg


Tela de Álvaro Cunhal


*


Imagem retirada da página


do Partido Comunista Português


*


AOS QUE SE ACENDEM NA LUTA
*



Aos que se acendem na luta,


Aos que se apagam na fome,


Aos que vão morrendo em nome


De uns reais filhos da puta


Que lhes roubam, da labuta,


Quanto lucro os engordou,


Lá, onde o lucro os cegou


E onde a garra do poder


Que não pára de crescer


Cruamente se fincou
*



Sem que os direitos de um povo


Fossem, sequer, respeitados,


Garantidos, preservados,


Tudo a bem de um “mundo novo”


Que ele execra e que eu reprovo


Na palavra, nas acções


E até nas contradições


A que venha a estar sujeito


Pela mão de um burro eleito


E outros tantos aldrabões
*



A todos esses e a quantos


Sem descanso resistirem


Mesmo se um dia caírem


Na dureza dos quebrantos


- que são certeiros e tantos… -


Mas que, nem lerdos nem lentos,


Possam ficar sempre atentos


Sem mudar de direcção,


Sempre opondo a voz do não


Aos subornos truculentos
*


 


À luta dos companheiros,


Àqueles que nas barricadas,


Sem espingardas nem granadas,


Estão no frente a frente inteiros


Com a força de guerreiros


Que contra a barbaridade


Ergam voz, crença e vontade,


Deixo os versos que escrever...


Depois, venha o que vier,


Da Paz seremos obreiros.
*



Maria João Brito de Sousa


18.11.2013 - 21.02h
***


Poema em décimas, ligeiramente modificado

Comentários

  1. Um bonita homenagem a quem luta pelos seus ideais.
    Boa noite, Maria João.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Cheia

      É uma reedição, que eu ando muito cansada e pouco inspirada...

      Boa noite e outro abraço

      Eliminar
  2. Querida avó
    a tua Musa
    é comuna

    Agora a sério
    teu poema caiu-me na alma

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querido neto meu,

      então só agora é que descobres que a minha Musa é comunista até ao tutano? Sempre o foi...
      Caiu-te na Alma o que a mim me saiu da alma.

      Beijinhos da avó comuna

      Eliminar
  3. Belo domingo em toda a harmonia.Bom dia MJ

    ResponderEliminar
  4. "...Da Paz seremos obreiros."
    Excelente, como sempre. Feliz Domingo e nova semana, com Saúde e Paz!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, caro Francisco

      A próxima semana vai ser algo agitada, para mim, claro.

      Um bom domingo com Saúde e Paz

      Eliminar
  5. A Maria João convocou muito bem uma pintura de Álvaro Cunhal para ilustrar o seu combativo poema, mas, se tivesse sido escrito antes do quadro, o poema também poderia ter servido para inspirar Cunhal. De resto, o quadro de Álvaro Cunhal, tão cheio de movimento e onde nada foi pintado por acaso, mostra bem como ele foi um dos maiores artistas portugueses do neorrealismo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, Fernando.
      Tenho exactamente a mesma opinião no que toca à pintura de Álvaro Cunhal. Para mim, ele e Manuel Ribeiro de Pavia foram dois gigantes do Neorrealismo português.

      Fiquei tristíssima quando soube que a Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia tinha sido encerrada por falta de público interessado nas suas obras.

      Um abraço

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares