CONVERSANDO COM SÁ DE MIRANDA II
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Imagem gerada pelo ChatGTP
***
CONVERSANDO COM SÁ DE MIRANDA
*
Ó meus castelos de vento
que em tal cuita me pusestes,
como me vos desfizestes!`
*
Armei castelos erguidos,
esteve a fortuna queda,
e disse:– Gostos perdidos,
como is a dar tão grã queda!
Mas, oh! fraco entendimento!
em que parte vos pusestes
que então me não socorrestes?
*
Caístes-me tão asinha
caíram as esperanças;
isto não foram mudanças,
mas foram a morte minha.
Castelos sem fundamento,
quanto que me prometestes
quanto que me falecestes!
*
Sá de Miranda,
in 'Antologia Poética'
***
"Ó meus castelos de vento"
Houvesse-vos eu sonhado,
Mas não, deixei-vos de lado...
*
Fiz-me ao mar numa jangada
Sem ter vela nem sextante:
De mim me deixou distante
A maré, pela calada...
Fiz das mãos remos perfeitos,
Mas com tão pequenos remos,
Nunca se chega onde qu`remos...
*
Ficou-me a jangada à d`riva,
Num mar que não tinha fim...
Não mais procurei por mim,
Fiquei da maré cativa,
Mas fui-lhe aprendendo os jeitos:
Não me quebra, ela, a vontade,
Nem a salgo, eu, de saudade.
*
Mª João Brito de Sousa
03.01.2025 - 12.00h
***

Lindo,lindo Maria João essa conversa com outro imenso poeta português.
ResponderEliminar'houvesse-vos eu ' essa musa deitada comigo aqui no meu quarto ,,,
Me encantei com a socorrista perfeita .
Beijinhos, e boa semana do nosso janeiro primeiro .
Obrigada, Lis
EliminarÉ verdade, estamos ainda na primeira semana do primeiro mês do ano de 2025, que estranhamente passei a dormir com a cabeça em cima do teclado do portátil, rsrsrs... E escrevo estranhamente porque é muito estranho que não tenha acordado com o estralejar dos foguetes, nem com o tlam, tlam, tlam das tampas dos tachos e panelas, nem mesmo com o barulhão que o pessoal do Taskmaster deve ter feito juntinho ao meu tímpano esquerdo... E olhe que posso ter muitas mazelas, mas não sou nada surda.
Em relação a Sá de Miranda, pois é um poeta que anda muito esquecido, embora a ele se deva a introdução do soneto em Portugal. E tu bem sabes quanto eu gosto do musicalíssimo soneto, desde o pequeno e elegante sonetilho ao exigentíssimo alexandrino.
Boa semana que está quase, quase a chegar ao fim.
Beijinhos
Muito bom.
ResponderEliminarBom fim-de-semana, Maria João!
Um abraço.
Boa noite, Cheia!
EliminarObrigada e um bom fim-de-semana que eu dou-me por muito contente se esta afonia começar a passar e se as dores isquémicas diminuírem de intensidade e me permitirem voltar a dormir umas largas horas seguidas.
Outro abraço
Tivesse um e outro
ResponderEliminarautor
Anonimado a autoria
e eu jamais saberia
qual seria
o de Sá
Beijo deste teu neto
desse tal IA adverso
Obrigada, netinho do meu
EliminarZanga-te antes com o Phil que anda a pesquisar e a conseguir bons resultados em "proteómicas" - biologia molecular, biologia celular e genética - e ainda em "Go terms" - ontologia do gene . Eu garanto-te que me limito a usá-lo para gerar imagens a partir dos meus poemas, levo-o sempre por bons caminhos e até lhe posso ir emprestando um bocadinho de delicadeza feminina, que é uma coisa que fica sempre bem a uma sofisticada batedeira eléctrica com (alguma) vocação para ser humano.
A sério, neto meu, é impossível criar dependência com uma maquineta que me gera uma imagem em menos de cinco segundos.... Só se eu lhe pedisse uns largos milhões de imagens por dia e eu só peço uma, quando peço, que a de ontem não era do ChatGTP.
Beijinhos da avó afónica, dorida e a cair da tripeça, mas ainda muito lúcida.