VALENTIA

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*


VALENTIA


(ou nem por isso)
*



Não tenho medo do medo


Que me tenta amedrontar!


Medo só tenho se cedo


Antes de o medo enfrentar
*



Talvez num louco arremedo


Em que o consiga travar,


Ou num poema-brinquedo


Para o desacreditar...
*



Algum tenho - isto confesso! -


De pagar um alto preço


Por tão excessiva ousadia
*



Mas que me importa? Assim sou!


Se o medo sabe onde estou,


Que venha e cobre a quantia!
*


II
*


Só não sei que nome dar


A este estranho arrepio


Que me faz tremer de frio


Mesmo que esteja a suar
*



Quando a saúde, ao falhar,


Me leva num corrupio


A um encontro arredio


Com o meio hospitalar...
*



Sinto, então, que medo tenho,


Que do terror não desdenho


Na cadeira do dentista.
*



Afinal nada valente


Serei quando um simples dente


Faz com que eu trema... ou desista.
*



Mª João Brito de Sousa


06.12.2024 - 21.20h
***


 

Comentários

  1. Boa noite de Paz, querida amiga Maria João!
    Realmente, num piscar de olhos, podemos baixar num estado de saúde delicado.
    Parabéns por poetar diversos temas com toda desenvoltura.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos

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    1. Boa noite da Paz pela qual tanto ansiamos, querida Rosélia.

      Ainda não tive a oportunidade de visitar o canteiro no qual a sua poesia floresce ao lado da de Blue Bird, mas vou tentar ir agora até lá.
      Estes dois sonetilhos nasceram para descontrair e brincar um pouco com o medo que realmente tenho da cadeira do dentista.

      Que tenha, também, dias abençoados.

      Beijinhos

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  2. Ola, Maria João.
    Da cadeira do dentista, não tenha medo, porque não faz mal a ninguém.
    Bom sábado e um abraço.

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    1. Bom dia, Cheia!

      Como posso não ter medinho se, só de pensar na próxima cirurgia dentária, fico toda arrepiadinha? É que, ainda por cima, como faço anti coagulação medicamentosa, tenho de parar os comprimidos de Varfarina cinco dias antes e andar a injectar heparina duas vezes ao dia na minha própria barriguinha... e durante dez dias. No terceiro dia, a minha pobre barriga, parece o manto da Senhora das Dores, de tão roxinha que fica.

      Bom Sábado e um abraço, meu amigo

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    2. Desejo que corra tudo bem.
      Um abraço.

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    3. Obrigada, Cheia!

      A última correu lindamente, mas o INR nunca mais voltou a ficar equilibrado e eu tenho de andara a saltitar todas as semanas para o centro de saúde. É preciso fazer análises até o valor ficar dentro dos parâmetros que a Cardiologia me exige. A próxima e última será em Fevereiro. E vai ser bem mais complicada do que a anterior.

      Um abraço

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  3. Olá querida Mª João!
    E que bem está este poema que em tudo desafia o medo e o terror da cadeira do dentista, sem desafiar o rigor da métrica, a marcar presença em bela harmonia de 7 sílabas poéticas.
    Com o tempo ganhamos a capacidade de vencer o medo em algumas situações, mas noutras perdemos a resistência para lhe resistir.
    Se por um lado adquiri o conhecimento para saber já de forma intuitiva a métrica do verso, quando sabes bem a dificuldade que tive ao início, mas lá fui travando conhecimento com as palavras e a sua sonoridade, algumas até posso dizer que serão agora minhas amigas , por outro também ganhei a aversão a essa simbólica e real dor de dentes que é ir ao dentista.
    Revi-me completamente nos teus versos, e se desistir não é uma possibilidade, o medinho vem mesmo bater a esta porta.
    Melhoras querida Mª. João, e um enorme Xi ❤️

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    1. Viva, linda Cotovia!

      A minha única consolação é que a próxima será a última. E tens razão quando dizes que a fuga não é opção porque os grandes cardíacos não podem manter nas bocas raízes que possam vir a infectar... Para a penúltima cirurgia levei comigo uma amiga e só porque me foi impossível de todo a não levei sala adentro para me segurar a mão...
      A próxima será em Fevereiro... Que enquanto o pau vai e vem possam as costas folgar

      Obrigada e outro grande xi

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