O PATUDO DE SCHRÖDINGER

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*


O PATUDO DE SCHRÖDINGER
*



Não sou gata morta/viva,


Mas nas mesmas condições,


Viva-morta/Ausente-activa,


Vou compondo estas canções
*



Quem me ouvir, cá, deste lado,


Dirá que ainda respiro,


Quem não me ouvir é levado


A pensar: - Nem um suspiro!
*



Esta quântica, senhores,


Não é fácil de entender:


Schrödinger rufou tambores,


Vendo um morto por morrer?
*



P`rante tanta instab`lidade


E tais sobreposições


Mal se vislumbra a verdade:


Não há luz, só apagões,
*



Porque um gato vivo e morto


. - tudo simultaneamente -


Pode estar somente absorto,


Ou mesmo apenas dormente...
*



Eu que morta inda não estou


E que génio nunca fui,


Só quero ser como sou:


Tudo o mais a Musa intui!
*



Tanta balbúrdia, afinal,


Pra chegar a um princípio


Que é o da Pura Incerteza:


Sim, ao prato principal,


Servido pelo mancípio


Que traz o gato prá mesa...
*



E sob o cofre de lata,


A incerteza é crescente:


Será qu`inda mexe a pata?


Morrerá de trás prá frente?
*



Ah, se alguém me propuser


Vida e Morte em simultâneo,


Musa não é, nem mulher,


É talvez o sucedâneo


Dum`outra coisa qualquer!
*



Mais completamente incerta


Me sinto neste momento


Do que jamais me hei sentido


E se me julgava esperta,


Nego que tal pensamento


Me haja um dia convencido!
*



Sinto-me lerda e tacanha


Quando me falam de "qubits",


Palavrinha muito estranha,


Ou "a word that nowhere fits"...
*



Ah, eu hei-de assegurar-me,


De inteira estar neste estado


Que, não sendo o meu melhor,


Não me impõe multiplicar-me,


Não me mata... no passado,


Nem me exige um tal rigor!
*



Deixo prós iluminados


Com QIs bem sup`riores


E vastos anos de estudo


Os meus neurónios queimados


Por "expoentes" e "vectores",


Mas... DEVOLVAM-ME O PATUDO!
*



Mª João Brito de Sousa


20.12.2024 - 13.00h
***


 

Comentários

  1. No Natal, tudo é possível, pode ser que lhe devolvam o Patudo.
    Um abraço.

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    1. Ai, Cheia, tudo o que eu queria era poder salvar o pobre do patudo desta alquímica confusão quântica que o deixa vivo e morto em simultâneo, pobrezinho dele, que nem sei bem se passa a zombie, vampiro ou qualquer coisa similar...

      Outro abraço

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  2. Boa noite, Mª João
    Enquanto a querida Maria João
    Não estiver bem aperaltada
    Para ser encerrada no caixotão
    Não se porá de Schrödinger a charada.

    Um bom fim de semana com um abraço na medida certa,
    Zé Onofre

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    Respostas
    1. Boa noite, Zé Onofre!

      Bem sei que nunca sofri de claustrofobia e que o caixotão não me assusta por aí além, mas aquela coisa de estar, em simultâneo, morta e viva, não me agrada lá muito, rsrsrs
      Pensemos nisso lá para a calendas gregas, ou apontemos para o dia de São Nunca em hora a combinar
      Obrigada e um abraço que pode até ser bem apertadinho

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