FAZ UM ANO, UM ANO INTEIRO

MR no almoço HP 2023 (1).jpg


*


FAZ UM ANO,


UM ANO INTEIRO
*



Faz um ano, um ano certo,


Que partiste, querido amigo...


Não mais converso contigo,


Já te não tenho por perto


Deste "castelo deserto"


Que às vezes te deu abrigo
*



Faz um ano! O tempo voa


Mas inda ouço as gargalhadas


Que eram por mim secundadas


Se entre lapso e trocadilho


Nascia o riso em estribilho


Por tudo e por nada, à toa...
*



Partiste mas desta casa


Nunca chegaste a afastar-te:


Descubro-te em toda a parte


E todos, todos os dias


Me enches as horas vazias


Do vigor que te extravasa
*



Se me ouves, sei que me entendes:


Ficou-me um pouco de ti


Que eu inda há pouco te vi


A dormitar no sofá


Com a caneca de chá


Nas mãos qu` inda hoje me estendes.
*


 



Mª João Brito de Sousa


04.12.2024 - 00.00h
***


caneca do Manuel Rui.jpg


 


 


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Anjo meu, confesso que a imagem da canequinha foi descaradamente roubada, mas eu só tenho um, "stupidphone" do milénio passado que não tem câmara nem nada e esta canequinha é quase, quase igual àquela em que eu servia o chá quentinho ao Manuel Rui quando ele chegava do supermercado carregado com as compras que fazia para mim. Não resisti, "gamei-a" a uma promoção qualquer de canequinhas... E ele teria feito o mesmo por mim, se ainda estivesse por cá e eu já tivesse partido, como tudo indicava que viria a acontecer.
      Tenho o meu arcaico telemóvel cheio de sms,s dele. Nunca os apagarei. Volta e meia ponho-me a lê-los e dou comigo a sorrir com ternura. A saudade também é assim.

      Beijinhos

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  2. Teresa Palmira HOFFBAUER4 de dezembro de 2024 às 17:11

    Desatar o nó do luto é difícil, eu diria impossível
    Ainda me lembra de ler esta triste notícia há um ano.
    Poema de uma tristeza contagiante.
    Abraço amigo e forte, Maria João.

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    Respostas
    1. Sim, Teresa, é impossível desatar o nó do luto. Aprendemos, contudo, a viver com ele... Se assim não fosse, a vida tornar-se-nos-ia insuportável.
      Hoje dei comigo a sorrir com ternura enquanto lia todos os muitos sms que o Manuel Rui me enviava, por vezes do supermercado, a perguntar-me se, na ausência de determinado artigo, eu aceitaria a substituição por outro que abundava.
      A canequinha em que lhe servia as infusões de tília, cidreira ou camomila é igualzinha à que roubei algures e trouxe até aqui e ainda guardo papéis que ele imprimiu com sonetos originais de Jacobo Da Lentini e me entregou para que eu pudesse escutar a sua musicalidade...
      Não lhe minto quando digo/escrevo que a morte não conseguiu matar a nossa amizade, apenas nos separou fisicamente.

      Um abraço amigo e forte também para si

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  3. Lembro-me dessa foto, com a Mª João ao lado e uma outra senhora que não conheço, creio que a ilustrar o poema em que nos dá conta da partida desse seu querido amigo.
    Já passou um ano? Pesar do luto saudoso, o tempo não dá sequer tempo a cicatrizar feridas.
    Um forte abraço solidário, Maria João!

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    1. Sim, Janita, faz hoje um ano que o Manuel Rui partiu.
      Estava a tecer uma coroa de sonetos com o poeta Custódio Montes quando recebi a notícia. Consegui acabá-la, não sem antes ter telefonado ao meu companheiro de trabalho para lhe dizer que aquela folha morta que percorria toda a coroa passava, a partir daquele instante, a simbolizar o meu Amigo Manuel Rui.

      Um abraço apertado

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  4. Sentida homenagem.
    Boa noite, Maria João.
    Um abraço.

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