DITANDO A SORTE DOS ASTROS
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DITANDO A SORTE DOS ASTROS
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Ditam os astros altivos
Sentenças sobre os mortais
Que ainda se encontram vivos
E disso lhes dão sinais
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Dizendo estarmos cativos
Dos seus altos pedestais,
Prometendo lenitivos
Pràs frustações mais banais
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Eu, que os astros sempre escuto
De uma maneira dif`rente,
A tais predicções refuto!
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Que sabe um astro da gente?
Ou de mim que me reputo
De céptica e de coerente?
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II
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Não, não faço futurismo
Sobre vós, corpos astrais,
Quando até um mero sismo
Pressinto tarde demais...
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Sei, contudo, astros reais:
Caminhais pró mesmo abismo
Que para nós preparais...
E também c`o vosso eu cismo
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Porque morrereis um dia,
Como nós, tendes um prazo
E, no estertor da agonia,
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Nesse derradeiro ocaso
Que nenhum de vós previa,
Do que escrevo fareis caso...
*
III
*
Não precisei, velhos astros,
De lançar búzios, ler cartas,
Nem de andar por altos castros
Que disso já eu estou farta
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E se, em tempos, galguei mastros,
Hoje a velhice descarta
Subidas, pois trago lastros
E rastejo qual lagarta
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Seja o que for, pra vós escrevo
Neste dia em que o Sol brilha
Sem cobrar quanto lhe devo
*
E não sei se mãe, se filha
Sou do Sol que, com enlevo,
Me embrulha em sua mantilha
*
Mª João Brito de Sousa
11.12.2024 - 16.45h
***

Há quem viva à conta de ler os astros, mas livros não sabe ler.
ResponderEliminarBoa noite, Maria João!
Um abraço.
Boa noite, Cheia!
EliminarEu não sei ler os astros, só sei amá-los como pequenas/grandes peças deste nosso universo.
Obrigada e um abraço
Nunca me dei conta de ler mapa astral , horóscopo e afins.
ResponderEliminarTudo só lenga lenga ,Maria
Já comprovadissima que é uma pseudociência , não comprova nada _mas há quem goste ...
Eu gostei mesmo foi da sua genialidade de compor o poema _ que eu mal soube dizer agora. :((
Grande abraço amiga
Olá, Lis
EliminarNem eu, amiga, excepto quando reunia com as minhas amigas no cafezinho da esquina. Elas não dispensavam a leitura dos signos e eu ria-me porque tudo me corria quase exactamente ao contrário do que lá vinha escrito, mas respeitava quem optasse por acreditar.
Obrigada pelas tuas generosas palavras em reação ao meu poeminha :)
Um grande abraço também para ti
Os astros estão num frio danadinho MJ
ResponderEliminarBela quinta feira em harmonia natalícia, beijinhos
Bom dia, !
EliminarNem todos, nem todos... Experimenta pôr um pezinho em Mercúrio, por exemplo, e vais ver o caloraço que por lá faz
Vou a uma consulta, não tarda. Vou ter uma semana muito cheia.
Beijinhos
Boa tarde, Mª João
ResponderEliminarTodos temos o fim traçado,
É essa a cruel realidade.
O difícil será tê-lo alcançado
Vivendo-o com Verdade.
Um dia o melhor possível,
Zé Onofre
Boa tarde, Zé Onofre.
EliminarAcabo de chegar. Mas, sim, somos todos orgânicas máquinas de desgaste, nós, os humanos, os animais ditos não racionais, as plantas, os fungos....Os astros, esses, são inorgânicas máquinas de desgaste. E, na verdade, a maioria das estrelas que agora vemos no céu já se extinguiu há muitos milhões de anos...
Façamos por viver com verdade durante o pedacinho de eternidade que cabe a cada um de nós.
Para si, atrevo-me a desejar um dia francamente bom.
Um abraço
Não sei se os Astros merecem tanta atenção, tanto verso, de tão sábios quererem ser, mas cá por mim não os creio com tais poderes ao ponto do nosso destino resolver...
ResponderEliminarBelo poema, Maria João, belo poema! Adorei cada verso.
Beijinho enorme e cuide-se, que o frio veio para ficar.
Olá, Janita!
EliminarSe a inteligência se medisse em tempo e tamanho, eles seriam muito mais sábios do que nós, mas nem o tamanho nem o tempo definem a sapiência.
Obrigada pelas suas palavras sobre este poema aos astros.
O frio veio para ficar e lançou-se sobre nós de dente bem arreganhado. Estou sem voz ou quase
Beijinho grande
Olá querida Mª João.
ResponderEliminaresses astros, fascinantes que sempre nos levaram a olhar para os céus e a sonhar com universos diferentes, tal como a tua poética sempre multifacetada e plural. Gostei imenso, e vi-me numa grande aventura por esses astros, num cosmos fantástico que aqui partilhaste, numa viagem do inicio ao fim da vida e dos seus ciclos.
Que nos mantenhamos aqui, pois até mesmo as lagartas tem o seu momento de espanto quando surgem asas de uma borboleta, e por vezes, mesmo os dias mais comuns podem ainda surpreender pela positiva.
Vais dando uma ajuda com a tua poesia em excelentes partilhas. Obrigada.
Um Xi- e votos de uma noite o melhor possível, querida Mª João.
Olá, linda Cotovia! :)
EliminarÉ bem verdade que estes magníficos gigantes nos fascinam desde os nossos primórdios. E continuam a fazê-lo porque embora aqui os trate com mão bem firme, no finalzinho toda eu me derreto aconchegada na mantilha com que o Sol me embrulha...
Ah, pois, lagarta. Eu já devia estar mais do que habituada à minha lentidão de lagarta ou lesma, mas ainda me aborreço com a minha desajeitada e dorida mobilidade. Bem, também me rio disso e não o faço poucas vezes, rsrsrsrs
Gosto de manter o equilíbrio entre o que me magoa e o que, mesmo magoando, me faz rir.
Esta noite até aos astros peço que intervenham por mim junto de Morfeu para que eu não passe uma quinta quase/directa. É que ninguém aguenta e eu, hoje, tenho andado todo o dia com tonturas... Até já começo a duvidar da legibilidade e coerência da minha escrita.
Um grande xi