NO SILÊNCIO EM QUE TO DIGO - Reedição

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NO SILÊNCIO EM QUE TO DIGO
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Vem! Vem sentar-te à lareira


Das cinzas do meu poente...


Vem, filho de toda a gente,


Que eu não passo de uma obreira


Destoutra estranha maneira


De ser rainha e servente


Da pequenez da semente


Perdida na sementeira.
*



Senta-te à mesa comigo,


Prova este pão amassado


Sobre as letras de um teclado

Que é meu prémio e meu castigo,


Pois, pra pão, falta-lhe o trigo


E o fermento de um trinado


Que se solte e soe ao fado


Do silêncio em que o mastigo.
*



Maria João Brito de Sousa


25.11.2019 - 09.25h
***

Comentários

  1. Quão importante é o trigo!
    Bom dia, Maria João.
    Um abraço.

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    1. Bom dia, Cheia.

      Quem diz trigo, diz pão e este que aqui vou inventando não mata enche a barriga a ninguém, muito embora eu, por vezes, quase, quase acredite que sim...

      Um abraço

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  2. Excelente Musa que inspira para tão lindo Poema! Saúde!

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    Respostas
    1. Bom dia e muito obrigada, Francisco.

      Hoje é mais uma vez "dia de centro de saúde". Ando para aqui a saltitar entre a sala e os pequenos afazeres domésticos que ainda vou conseguindo executar... em câmara lenta, claro.

      Saúde e Paz

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