SOBREVIVENDO ÀS MAZELAS- reedição

Eu e Guida Ricardo, 2013.JPG


Eu e Guida Ricardo


Fotografia de Carlos Ricardo


*


SOBREVIVENDO


ÀS MAZELAS
*


 


Pegar na dor, nas mazelas


E, uma a uma, transmutá-las


Em versos ou aguarelas,


Talvez não seja curá-las
*



Mas será encontrar nelas


Lacunas e ultrapassá-las


Sem que nos deixem sequelas


Ou nos sugiram cabalas...
*



Cubro-as, às vezes, de estrelas


Pra melhor poder espalhá-las


Sobre embarcações com velas


Que ao mar hão-de ir conquistá-las
*



Para, com sorte, vencê-las...


Prudente, preparo as malas


Não vá o demo tecê-las


E impedir-me de alcançá-las
*



De cantá-las, de envolvê-las


Nestas musicadas falas


Que são quanto emana delas


Quando tu, Dor, me apunhalas.
*


 


Mª João Brito de Sousa
*


11.12.2021 - 15.00h


***


 

Comentários

  1. Qualquer forma de expressão artística será uma excelente terapia para que não fiquem sequelas das mossas que a Vida nos vai fazendo.
    A Mª João tem o privilégio de as afugentar com a sua bela Poesia.
    Adorei a sugestão de as cobrir de estrelas...Tão belo isto!!
    Um beijinho estrelado.

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    1. Obrigada, Janita!

      É uma reedição, que eu estou mesmo com uma infecção respiratória que parece apostada em eternizar-se e a minha Musa ficou esgotou-se na última Coroa que teci com o Custódio Montes.

      Um beijinho

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  2. Mesmo a Dor apunhalando, há Poesia! Saúde. Paz!

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    1. Se a dor não for demasiado forte, a poesia é uma excelente forma de a combater, Francisco.
      Claro que não afirmo que possa evitar as costumeiras idas ao médico, mas funciona enquanto maximizador do efeito dos eventuais medicamentos. Com esta gripe é que nada parece funcionar...

      Fraterno abraço

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  3. Gosto tanta de a ler Maria João, pegar na dor e transforma la em soneto, não é para todos, e como diz e bem talvez não a consiga curar dessa forma, mas que passa por ela com distinção lá isso passa.
    Espero que ela não seja grande parte dos seus dias, e que tenha passado bem este virar de ano
    Deixo um abraço cúmplice

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    1. Obrigada, Cúmplice do Tempo.

      Peço desculpa por só agora agradecer estas suas generosas palavras, mas tenho andado muito intermitente nas minhas vindas aos blogs e muitas palavras amigas me escapam.
      Há muitos anos que sofro de dor crónica, já estou habituada a lidar com todas as suas vertentes. Só me queixo - ou calo - quando se torna demasiado forte para eu conseguir passar por ela com a tal distinção que refere.
      Esta passagem de ano não foi nada boa, até porque faleceu o amigo que há sete ou oito anos me fazia as compras, me ia buscar medicamentos à farmácia, me transportava em cadeira de rodas pelos corredores dos hospitais e me acudia de cada vez que uma tarefa ultrapassava as minhas forças. Tinha apenas 62 anos, estava no activo enquanto professor do ensino secundário e tinha uma saúde de ferro, segundo ele próprio dizia.

      Um abraço cúmplice para si também

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    2. Pois é Maria João a vida e o tempo vão nos pregando estas partidas, sejam ela pelos acontecimentos pessoais, ou no significado das percas daqueles que estimamos. espero que encontre sempre forças para ultrapassar umas e outras
      A minha passagem de ano também foi assolado por uma tamanha gripe que já não me lembrava a uns bons anos, juntando a isso um problema que já se arrasta desde o verão e que tem tido uma evolução para o chatinho, o meu maior afastamento foi inevitável, pois alem de me afetar o braço direito, criava me um enorme desconforto em toda essa zona, afastando me de computador e meios de escrita, agora imagine sendo essa a minha ferramenta de trabalho, a que mais prezo nos tempos livres e mesmo na comunicação trivial.
      Mas a Maria João melhor do que ninguém saberá que nos cabe a nós adaptar aos momentos que vivemos, e da melhor forma arranjar soluções para se atenuar os problemas
      Resta me lhe desejar as melhoras, e que as visitas que mesmo breves sejam sempre repletas de prazer, da minha parte saberá que o são sempre
      Abraço cúmplice

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    3. Peço desculpa, Cúmplice do Tempo, mas tenho andado tão atarefada a conversar com Luiz Vaz de Camões no blog dos sonetos, que só hoje leio as suas generosas palavras.
      Na verdade quem sofre de dor crónica vai encontrando formas de aprender a viver com ela.

      Neste momento, todo o meu bairro sofreu um apagão e eu tenho insulina refrigerada... ah! Aleluia, de novo se fez luz, ufa!

      Obrigada pela cumplicidade de gostar de me ler.

      Um abraço cúmplice

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