SOBREVIVENDO ÀS MAZELAS- reedição
Eu e Guida Ricardo
Fotografia de Carlos Ricardo
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SOBREVIVENDO
ÀS MAZELAS
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Pegar na dor, nas mazelas
E, uma a uma, transmutá-las
Em versos ou aguarelas,
Talvez não seja curá-las
*
Mas será encontrar nelas
Lacunas e ultrapassá-las
Sem que nos deixem sequelas
Ou nos sugiram cabalas...
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Cubro-as, às vezes, de estrelas
Pra melhor poder espalhá-las
Sobre embarcações com velas
Que ao mar hão-de ir conquistá-las
*
Para, com sorte, vencê-las...
Prudente, preparo as malas
Não vá o demo tecê-las
E impedir-me de alcançá-las
*
De cantá-las, de envolvê-las
Nestas musicadas falas
Que são quanto emana delas
Quando tu, Dor, me apunhalas.
*
Mª João Brito de Sousa
*
11.12.2021 - 15.00h
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Qualquer forma de expressão artística será uma excelente terapia para que não fiquem sequelas das mossas que a Vida nos vai fazendo.
ResponderEliminarA Mª João tem o privilégio de as afugentar com a sua bela Poesia.
Adorei a sugestão de as cobrir de estrelas...Tão belo isto!!
Um beijinho estrelado.
Obrigada, Janita!
EliminarÉ uma reedição, que eu estou mesmo com uma infecção respiratória que parece apostada em eternizar-se e a minha Musa ficou esgotou-se na última Coroa que teci com o Custódio Montes.
Um beijinho
Mesmo a Dor apunhalando, há Poesia! Saúde. Paz!
ResponderEliminarSe a dor não for demasiado forte, a poesia é uma excelente forma de a combater, Francisco.
EliminarClaro que não afirmo que possa evitar as costumeiras idas ao médico, mas funciona enquanto maximizador do efeito dos eventuais medicamentos. Com esta gripe é que nada parece funcionar...
Fraterno abraço
Gosto tanta de a ler Maria João, pegar na dor e transforma la em soneto, não é para todos, e como diz e bem talvez não a consiga curar dessa forma, mas que passa por ela com distinção lá isso passa.
ResponderEliminarEspero que ela não seja grande parte dos seus dias, e que tenha passado bem este virar de ano
Deixo um abraço cúmplice
Obrigada, Cúmplice do Tempo.
EliminarPeço desculpa por só agora agradecer estas suas generosas palavras, mas tenho andado muito intermitente nas minhas vindas aos blogs e muitas palavras amigas me escapam.
Há muitos anos que sofro de dor crónica, já estou habituada a lidar com todas as suas vertentes. Só me queixo - ou calo - quando se torna demasiado forte para eu conseguir passar por ela com a tal distinção que refere.
Esta passagem de ano não foi nada boa, até porque faleceu o amigo que há sete ou oito anos me fazia as compras, me ia buscar medicamentos à farmácia, me transportava em cadeira de rodas pelos corredores dos hospitais e me acudia de cada vez que uma tarefa ultrapassava as minhas forças. Tinha apenas 62 anos, estava no activo enquanto professor do ensino secundário e tinha uma saúde de ferro, segundo ele próprio dizia.
Um abraço cúmplice para si também
Pois é Maria João a vida e o tempo vão nos pregando estas partidas, sejam ela pelos acontecimentos pessoais, ou no significado das percas daqueles que estimamos. espero que encontre sempre forças para ultrapassar umas e outras
EliminarA minha passagem de ano também foi assolado por uma tamanha gripe que já não me lembrava a uns bons anos, juntando a isso um problema que já se arrasta desde o verão e que tem tido uma evolução para o chatinho, o meu maior afastamento foi inevitável, pois alem de me afetar o braço direito, criava me um enorme desconforto em toda essa zona, afastando me de computador e meios de escrita, agora imagine sendo essa a minha ferramenta de trabalho, a que mais prezo nos tempos livres e mesmo na comunicação trivial.
Mas a Maria João melhor do que ninguém saberá que nos cabe a nós adaptar aos momentos que vivemos, e da melhor forma arranjar soluções para se atenuar os problemas
Resta me lhe desejar as melhoras, e que as visitas que mesmo breves sejam sempre repletas de prazer, da minha parte saberá que o são sempre
Abraço cúmplice
Peço desculpa, Cúmplice do Tempo, mas tenho andado tão atarefada a conversar com Luiz Vaz de Camões no blog dos sonetos, que só hoje leio as suas generosas palavras.
EliminarNa verdade quem sofre de dor crónica vai encontrando formas de aprender a viver com ela.
Neste momento, todo o meu bairro sofreu um apagão e eu tenho insulina refrigerada... ah! Aleluia, de novo se fez luz, ufa!
Obrigada pela cumplicidade de gostar de me ler.
Um abraço cúmplice