DAR-TE-IA O MEU, SE PUDESSE....
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DAR-TE-IA O MEU, SE PUDESSE...
*
Dar-te-ia o meu se pudesse
Mas o meu, de tão estragado,
Não serve nem pra ser dado
A quem precisa e merece
E se tão bem te conhece
Não pode ficar calado
A pulsar desgovernado
Enquanto o teu desfalece...
Dar-te-ia o meu, mas parece
Não estar em muito bom estado...
*
Por quanto por mim fizeste,
Dar-te-ia o meu coração
Mas sei que o daria em vão
Pois não há nada que preste
Neste que em mim pulsa agreste
Se em ti pensar, meu irmão:
Fraqueja na pulsação
E do pouco que lhe reste
Inda que tudo te empreste
Não serve por não estar são
*
Dói-me esta estranha impotência,
Dói nada poder fazer...
Nem sequer te posso ver
E é já tão longa esta ausência!
Paciência, dizem, paciência...
Esperar sem nada saber,
Calar e nada dizer?
Não! Uma abrupta insurgência
Deu-me voz, quebrou dormência,
E obrigou-me a escrever.
*
Mª João Brito de Sousa
01.12.2023 - 15.15h
***

Muitos parabéns. Votos de melhoras. Estranhávamos a ausência. Ainda bem que voltou. Em modo de "excelência"! Muita Saúde!
ResponderEliminarUm grande abraço, Francisco. Não sei se voltei mesmo ou se este foi apenas um grito isolado...
EliminarDurante estes últimos oito anos, fui ajudada por um amigo ao nível de transportes para as constantes consultas, exames e cirurgias, compras de toda a espécie e até de amparo nos pós operatórios em que os médicos sugeriam que eu ficasse acompanhada. Esse amigo, com o qual sempre pude contar, que frequentemente ficava a dormir na minha sala e ia vigiando o meu sono, encontra-se agora em estado crítico e está internado desde 16 de Outubro, tendo já sido submetido a duas cirurgias ao coração sem que o seu problema tenha podido resolver-se.
Tanto eu quanto os familiares e amigos mais próximos estamos devastados pela longa espera e pela ausência das tão esperadas melhoras. Hoje escrevi por impulso - ou compulsão... -, mas não sei quando nem se conseguirei voltar a escrever. Estou sinceramente devastada e espero que compreenda que estou a atravessar um momento muitíssimo difícil.
Dediquei este poema ao Manuel Rui que neste momento luta pelo sopro de vida que lhe resta.
Perdoe-me se também lhe dedicar os seus votos de saúde.
Fraterno abraço
Votos de melhoras para ambos. Saúde!
EliminarBoas melhoras para ambos, que continuemos a ler os seus bonitos poemas.
ResponderEliminarUm abraço.
Bom dia e muito obrigada, Cheia, mas para o MR já não há esperança depois de duas cirurgias cardíacas nas quais não foi possível reparar uma lesão/ruptura entre os dois ventrículos. É uma questão de dias... ou de horas.
EliminarPeço desculpa se não conseguir retribuir a visita, mas só com um enorme esforço consegui vir até ao Montanhas para vos agradecer.
Um abraço
Boa tarde de Paz, querida amiga Maria João!
ResponderEliminarEm primeiro lugar, melhoras...
"Esperar sem nada saber,
Calar e nada dizer?"
Muito bom o grito poético.
Acabo de mencionar a uma amiga do coração que "o papel tme mais paciência do que as pessoas."
Calar pode ser uma baita omissão vergonhosa.
Tenha dias abençoados com saúde e paz!
Beijinhos com carinho fraterno
Bom dia, querida Rosélia.
EliminarNeste caso, calar foi a reacção mais natural a uma situação extraordinariamente dolorosa para mim e para a família e amigos próximos do MR , o amigo que durante oito anos me transportou até às consultas, exames e cirurgias a que tive de ser submetida e me fez as compras todas as semanas, já que me encontro fisicamente diminuída. Esse amigo encontra-se entre a vida e a morte desde Outubro e, uma vez que respeito muitíssimo a privacidade de todos os meus amigos, só depois de saber que sua última cirurgia cardíaca não havia tido êxito e que já não havia qualquer esperança, a poesia brotou de novo como uma despedida. Nunca me foi possível visitá-lo e não creio que ainda vá a tempo de fazê-lo presencialmente.
Beijinhos com fraterno carinho
Querida amiga, falei omissão sem sentido que muitos fazemos sem piedade. Não foi seu caso, com certeza, visto ser uma pessoa do bem e da paz, bem sei, querida.
EliminarFique em Paz no coração que Deus tudo vê do que fazemos e não podemos fazer.
Tenha um final de semana abençoado!
Beijinhos com carinho fraterno
Ainda bem que ouvimos este seu grito, Maria João.
ResponderEliminarA preocupação era grande.
Abraço forte e solidário, desejando-lhe que fortaleça e, que de vez enquanto apareça aqui, mesmo que seja para dar um grito poético.
Obrigada, Teresa.
EliminarAlém de ter estado com uma enorme infecção respiratória, o amigo que foi o meu grande amparo físico durante os últimos oito anos, encontra-se em estado crítico desde Outubro e o meu coração pediu-me silêncio até ao momento em que soube que já não havia esperança. Creio que este poema nasceu mesmo como um grito ou como um desabafo. Estou devastada, acredite.
Um abraço dorido
Bem regressada
ResponderEliminarpoema belo
cara linda
Beijo
Poema triste, Rogério, poema-desabafo...
EliminarContinuo devastada, querido amigo. Agora nem sei se ainda sei poetar...
Beijo
Estava morrendo de saudades uas,
ResponderEliminarQue bom sabe-la bem , não precisa responder ,ok?
Quando puderes, farás .
Grande abraço, minha florzinha.
Torcendo aquui pela recuperação ( estou bem mais pertinho, em Genebra)
Beijjinhos
Bom dia, Lis
EliminarEstou viva, mas não estou bem, não: o amigo que me transportava de cadeira de rodas para o hospital e que me fazia as compras todas as semanas, encontra-se em estado crítico desde Outubro passado e já não há qualquer esperança para ele. Estou destroçada. Estamos todos destroçados: eu, a família dele e os seus amigos mais próximos.
Beijinhos
Querida poeta!!!!!
ResponderEliminarO que eu fiz para te encontrar!
Quero-te boa melhor....
Tanta notícia má...
Não pode ser!
Abraço grande e vai dizendo coisas
Ligeirinha
Parece impossível, não é, Ligeirinha? Parece impossível mas é a mais pura das verdades e eu estou devastada.
EliminarOntem e hoje consegui vir até aos blogs, mas não posso prometer-te nada. A dor e o vazio impuseram-me silêncio durante todo este tempo, não sei como estarei amanhã...
Um abraço muito, muito grande
Querida Mª João, a nossa poetisa, a nossa amiga, o nosso alento, o nosso coração grande, nem sei como dizer o quanto lamento, pelo MR, por ti, pelo sofrimento que estão a passar.
ResponderEliminarAs saudades são imensas, acredita que todos os dias estamos contigo, és parte da família.
O que for que possa ser de alguma valia para este momento, diz, expressa, o que for, seja o que for, envia uma mensagem, um e-mail, o que for e considera feito, sem qualquer problema, de verdade. De Sesimbra a Oeiras é um pulinho de pequena ave, num instante estou aí para o que for.
As melhoras para ambos, querida Mª. João.
Um enorme abraço, forte, um beijinho e um Xi
Minha querida Cotovia, fico-te grata do fundo do meu remendado coração, mas não creio que possas fazer seja o que for pelo MR e, neste momento, estou com ele nos cuidados intensivos do Hospital de Sta, Cruz, embora o meu corpo permaneça sentado junto ao computador.
EliminarSei que vou ter de presente um andarilho com rodas o que me dará um pouco mais de autonomia em relação às compras... Por enquanto, vou utilizando os carros metálicos do super e tenho obtido autorização para os trazer comigo até à porta de casa. Parece mentira, mas caminho muito melhor e canso-me muito menos com a parte superior do corpo apoiada naquelas carripanas... É quase como se deslizasse.
O Rogério, que já me transportou para a última consulta hospitalar, já se ofereceu para me levar às análises clínicas da próxima 4ª feira e assim, passo aqui, passo acolá, ajuda aqui, ajuda acolá, terei de readaptar toda a minha vida. O que me dói horrores é saber que ele já sofreu muito e esse sofrimento, ao contrário do meu, não serviu para nada.
Hoje ainda nem tive coragem de telefonar a saber notícias. Peguei mil vezes no telemóvel e mil vezes desisti acobardada. Mas vou ter de arranjar coragem, caramba!
Vou agora ao cafezinho e dou-te notícias assim que souber de alguma coisa, por pequenina que seja.
Um grande xi
Ficarei a aguardar notícias, obrigada querida Mª. João.
EliminarUm enorme Xi
As notícias são exactamente iguais às de ontem, pequena Cotovia... Pensei enviar-te um mail, mas acabei por deixar tudo escrito na tua caixa de comentários. A única coisa que me consola um pouco é saber que o MR já não está a sofrer como sofreu antes da segunda cirurgia.
EliminarUm xi apertadinho
Eu li o teu comentário, e partilho contigo a consolação de que não exista sofrimento, querida Mª João.
EliminarUm enorme e forte Xi
EliminarEu já estava a ficar preocupado com a prolongada ausência da Maria João destas lides poético-bloguísticas. Agora que sei a razão, continuo preocupado. Continuo preocupado pelo acontecido ao seu amigo de bom coração (mas não de coração bom, infelizmente) e continuo preocupado pela Maria João também. Desejo todas as melhoras do mundo.
ResponderEliminarMuito obrigada pelo seu cuidado, Fernando.
EliminarNa segunda cirurgia de peito aberto, não foi possível reparar a abertura/ruptura da parede entre os dois ventrículos e os médicos não podem tentar uma terceira cirurgia já que o meu amigo se encontra muito, muito débil. Dura já desde Outubro, esta duríssima luta diária pela sobrevivência... Tanto eu quanto a família e os amigos mais próximos estamos devastados.
Ontem li a sua aventura enquanto pauliteiro e vi todos os vídeos, mas estava demasiado cansada para comentar... Desculpe-me.
Um fraterno abraço