MODINHA DOS VENDILHÕES - Reedição
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Purificação do Templo - El Greco
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MODINHA DOS VENDILHÕES
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No tempo dos vendilhões
Anda o relógio ao contrário
E enchem a pança os patrões
C`o que cabe ao proletário!
*
É entrar meu amigo,
Venha ver o que se passa:
Perde o que trabalha abrigo
Pró ricaço que anda à caça
*
E até o remediado
Vê a vida a andar pra trás,
Nas contra-voltas de um fado
Que não mais nos deixa em paz!
*
Estas multinacionais
Estão cada vez mais gordinhas
E nós, menos que animais,
Roemos ossos e espinhas!
*
No tempo dos vendilhões
Anda o relógio ao contrário
E abundam palavrões
Que nem estão dicionário
*
Regurgitam alguns "sábios"
Perfeitos nacos de prosa
Saídos dos alfarrábios
De uma imprensa cor-de-rosa...
*
Se muitos há que protestam
Sem qualquer ideologia,
Outros há que ainda emprestam
Ao protesto essa energia
*
Que contraria os ponteiros
Do relógio avariado
E, sem balas nem morteiros,
Pode mudar este fado:
*
No tempo dos vendilhões
Anda o relógio ao contrário
E enchem a pança os patrões
C`o que cabe ao proletário!
*
Mª João Brito de Sousa
29.09.2022 - 15.00h
***

É o triste fado, o capital é que manda, o proletariado faz o que lhe mandam, não tem um telhado, vive num descampado.
ResponderEliminarBoa noite, Maria!
Um abraço.
Bom dia, Cheia!
EliminarPor enquanto, vai sendo este o fado da nossa realidade e mal de nós se nem sequer nos apercebêssemos disso, porque seria sinal de que estaríamos todos tão cegos quanto os cegos do Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago.
Um abraço
"...Estas multinacionais / Estão cada vez mais gordinhas..." (Gordinhas é favor! Gorduchonas!!!!!!)
ResponderEliminarTem toda a razão, Francisco, estão obesas de tanto nos sugarem....
EliminarPaz, saúde e um fraterno abraço!
Ao ler o seu comentário sobre as férias de outono 🍂 lembrei-me de Heinrich Heine, que em 1848 adoeceu e passou a sofrer de paralisia, passando os oito últimos anos da sua vida num colchão, que chamou de “Matratzengruft”. Tal como como a Maria João a MUSA nunca o abandonou até à sua morte em Paris, em 1856. Heinrich Heine foi também um poeta revolucionário, daí ser obrigado a deixar a Alemanha e escolher Paris para o exílio. O que eu quero expressar é, que a minha associação da poeta portuguesa com o poeta alemão faz sentido.
ResponderEliminarAbraço outonal da cidade de Heinrich Heine.
Obrigada pela elogiosa comparação, Teresa. Não estou paralisada, como Heinrich Heine, mas não consigo fazer caminhadas de mais de 50 metros. Tentei, uma única vez nos últimos cinco anos, mas jurei para nunca mais. À dor física, ainda a vou suportando, mas tenho muito respeitinho pelo meu remendado coração: quando ele se começa a queixar, paro de imediato.
EliminarAbraço ainda escaldante - estão ainda 30º em Oeiras, neste momento - do meu fim-de-Tejo