POUCA TERRA, POUCA TERRA... - Reedição
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POUCA-TERRA. POUCA-TERRA
*
Pouca-terra, pouca-terra…
Tanta terra falta ainda,
Tanto rio por navegar,
Tanto cume de alta serra,
Tanto trilho que não finda,
Tanta praia e tanto mar!
*
E, do comboio que passa,
Pouca-terra/muita-pressa,
Na melopeia de infância,
Não concebo uma ameaça:
Quero ver que terra é essa,
Quero medir-lhe a distância!
*
Pouca-terra? – mais que fosse! –
Quanta insondável lonjura
Há no triste olhar que fica
Numa curva amarga ou doce
Da transitória procura
A que o homem se dedica
*
Pouca-terra… e, afinal,
Tanto, ainda por cumprir
Nas distâncias que prevejo;
Pouca terra? Não faz mal,
Muito mais terra há-de vir!
Pouca terra e... tanto Tejo!
*
Maria João Brito de Sousa
08.08.2010 – 15.35h
***

Desci em Oeiras
ResponderEliminarmas de tanto calor, nem poeiras
Belo fim de Semana com alegria MJ, beijinhos
Se hoje viesses a Oeiras, ficarias surpreendido, : hoje a temperatura baixou e Nova Oeiras está envolta num espesso manto de nevoeiro que nem me permite ver o mar...
EliminarBom e alegre fim-de-semana para ti também!
Beijinhos!
Então era nevoeiro
EliminarBelo fim de semana com alegria MJ, beijinhos
Nevoeiro daquele de cortar à faca, como costumava dizer a minha mãe,
EliminarFoi de repente... Ontem estava bastante calor e não me recordo de ter visto nuvens no céu. Hummmm, agora fazia falta um emojizinho de nuvem.
Beijinhos!
"Eh! Cavalo de ferro... / Que malhas no ferro / repisando no erro /... Estremecem as travessas / Maradas das tuas pressas... " Saúde e Paz!
ResponderEliminarSaúde e Paz, Francisco!
EliminarSão seus, esses belos versos?
Um abraço!
Obrigado pela simpatia.
EliminarLigação para o poema no blogue:
https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/cavalo-de-ferro-28668
Viajar de comboio, tanto viajei!
Votos de Saúde. (Que a Paz tarda!)
Obrigada, Francisco, vou já ver!
EliminarTambém eu passei uma boa parte da minha vida nestes cavalos de ferro.
Saúde e Paz!
Embalado nesse pouca terra pouca terra
ResponderEliminarnão posso deixar de lamentar
o atraso do país
na expansão desse meio de transporte
e saudade de nele andar...
(há poemas que me remetem para a realidade... é o caso)
Abraço saudoso
Este poema nasceu de uma muitíssimo real memória de infância, de quando, debruçada da varanda da casa do Dafundo, via os comboios passar... Estou de acordo contigo quanto ao atraso do país neste meio de transporte e claro que também tenho saudades de andar no cavalo de ferro :)
EliminarOutro saudos abraço!
Quem escreve assim, não está neste mundo para ver passar os comboios. Excelente poema. Como eu gostaria de saber escrever assim. Como não sei, socorro-me do Fernando Pessoa:
ResponderEliminarNo comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
(O Fernando Pessoa não se refere a Oeiras, mas refere-se à Cruz Quebrada, que não fica longe.)
Tem razão, Fernando, Cruz Quebrada faz parte do Concelho de Oeiras e está mesmo coladinha às duas localidades que me viram crescer : Algés e Dafundo.
EliminarObrigada por esta oferta de mais uma viagem no Comboio Descendente de Fernando Pessoa.
Abraço!
Pouca terra, tanto Tejo, boa noite te desejo.
ResponderEliminarUm abraço
Obrigada e boa noite para ti também, Cheia!
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