SOBRAS... - Reedição
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SOBRAS...
*
Sobra a cinza do cigarro
e alguns nós dados à pressa
na corda onde recomeça
esta vida a que me agarro:
poeta com pés de barro
que a toda a hora tropeça,
sobre-me, embora, a cabeça,
nestes pés sempre me esbarro
e, hora após hora, me amarro
aos fios que outro alguém me teça
*
De mim, sobre o que sobrar,
restar-me-á quanto chegue
pra que a morte me não negue
mais tempo pra cá ficar?
Tendo a sementeira entregue,
há-de haver alguém que a regue
sempre que ela estiolar...
.
Eu, de tanto semear,
espero que a semente pegue
e dê fruto que aconchegue
todo o que o venha a provar.
*
Pouco peço... e peço tanto!
Todo o vate, a dada altura,
teme a morte prematura:
muda-se-lhe o verso em pranto,
perde força, perde encanto,
todo rescende amargura,
mas... enquanto a vida dura,
vai escrevendo sem quebranto:
Porque a Poesia é espanto,
ser-se poeta não tem cura!
*
Maria João Brito de Sousa
15.05.2016 - 14.45h
***

ResponderEliminarDia feliz.
Beijinhos
Dia feliz também para si, Ana!
EliminarBeijinhos!
Ser-se poeta não tem cura
ResponderEliminarTe desejo, Poeta
que essa doença
te seja eterna
Eu colherei todos os frutos
que me aconcheguem
Abraço de esperança
Tanto quanto está registado nos caderninhos do meu avô, esta doença nasceu comigo e espero que comigo morra, mas não sem antes ter contagiado alguém Há contágios que são muitíssimo bons!
EliminarServe-te à tua vontade , querido amigo!
Abraço também com esperança!
🐦
ResponderEliminarLinda poesia!
Muito bonita, operaste a alquimia da transformação das sobras em pequenas luzes de esperança.
E penso para mim, após a leitura, espanto, curiosidade, maravilhamento, encantamento, serão sinônimos de amor, de bem-querer e é essa a Poesia.
Obrigada pela partilha Mª. João!
Um fortíssimo Xi!🐦
É mais forte do que eu, rsrsrs... Sempre que me começo a queixar, acabo por deixar uma frestazinha aberta por onde a esperança possa entrar.
EliminarAcho que te vou deixar aqui, de novo, o link que eu considero importante que visites: https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/coisa-nenhuma-jay-wallace-mota-e-ma-822847
xi
Poema encantador, maravilhoso de ler.
ResponderEliminar*
Quarta feira com Saúde, Paz e Amor
*/*
Muito obrigada, Mariete!
EliminarPaz, saúde e amor também para si
Não gosto de sobras, mas quando são poéticas, não digo que não.
ResponderEliminarAbraço forte e solidário da amiga de sempre 💙
Naquele dia e naquele momento, era tudo o que tinha, Teresa.
EliminarAbraço forte para si também!
Excelente, como sempre!
ResponderEliminarFeliz resto de dia.
Um abraço
Obrigada, Cheia!
EliminarRetribuo os votos de um feliz resto de dia.
Um abraço!
Ser Poeta é sina, é condão, é destino, é fado, é doença, é cura... Votos de Saúde e Poesia!
ResponderEliminarBoa tarde, Francisco!
EliminarSer-se poeta é tudo isso, sem sombra de dúvida!
Paz, saúde e um fraterno abraço!
Sim, a Poesia é espanto, como diz a poetisa. E que gosto tão arcádico esta tem!
ResponderEliminarGostei muito.
Beijo amigo (e prazer em conhecê-la!)
Obrigada, Ana!
EliminarEstá a conhecer a Maria João de 2008/9. A de hoje tem uma longuíssima cabeleira de sal e pimenta, com muito mais sal do que pimenta
Um beijo amigo!