DANDO UM ROSTO À VOZ QUE TENHO - reedição
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DANDO UM ROSTO À VOZ QUE TENHO
*
I
*
Que coisa fiz, ou não fiz,
Que às coisas que tenho feito
Juntasse nódoa ou defeito
Ou dissesse o que eu não quis?
Do que o bom senso me diz,
Repito aquilo que aceito:
Estar e ser deste meu jeito
É que me torna feliz
Mesmo ferindo a cicatriz
De um antigo preconceito…
*
II
*
Nesta postura me privo
Duma imagem que convém
A quem fuja do desdém
De uns poucos com quem convivo,
Mas, se um só ficar cativo,
A mim só me fará bem
Ir um pouco mais além
Sem prender-me ao velho arquivo:
Antes, num poema esquivo,
Dou rosto à voz que o contém!
*
III
*
Se frontalmente me assumo
Dando um rosto à voz que tenho,
Se escrevo e nem me detenho
Nos planos de um novo rumo,
Se é tão pouco o que consumo,
Se outro rumo, sendo estranho,
Me fizer franzir o cenho
Como se eu, mero resumo
Da tal “obra” em que me aprumo,
Fosse o que eu mesma desdenho
*
IV
*
Por que fingir-me dif`rente?
Pra quê “morna e colorida”
Se directa e desabrida
Tanto digo a tanta gente?
Pobre, mas nunca indigente,
Pardal bravo ou fera ferida,
Não procurarei na vida
Muito mais do que a semente
Que é pequena mas faz frente
À aridez mais ressequida
*
Maria João Brito de Sousa
06.07.2014 – 18.33h
***

Em boa companhia
ResponderEliminaré sempre um melhor dia
Belo fim de Semana com alegria MJ, Beijinhos
Bom dia, !
EliminarEste amigo é o Fernando Cunha de Sá que comigo participou com vários poemas na obra RECLUSÃO de Laurinda Rodrigues. Foi em Setembro do ano passado, na Fábrica Braço de Prata.
Feliz dia para ti!
Beijinhos!
Gostei muito.
ResponderEliminarBom fim-de-semana.
Obrigada, Cheia!
EliminarRetribuo os votos de um bom fim-de-semana
Abraço!
"...Pardal bravo ou fera ferida..." "...De um antigo preconceito…" Viva a Poesia, seja qual for a forma ou conteúdo! Votos de muita saúde.
ResponderEliminarAgradeço e retribuo os votos de excelente saúde!
EliminarViva a Poesia!