POR TEIMOSIA OU PAIXÃO

MAR - Dissecação de um conceito
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POR TEIMOSIA OU PAIXÃO
*
Por teimosia, ou paixão,
galguei-te, ó mar que me sondas,
à revelia das ondas
e contra a voz da razão...
Vi espólios de mil naufrágios
onde quer que mergulhei
e, onde eu mesma naufraguei
desprezando os maus presságios,
dei com paixões que eram estágios
do que nunca alcançarei
pois nunca sequer sonhei
fazer delas meros plágios
ou me suscitou contágios
quanto ali presenciei:
Em clareiras abissais,
tão profundas, tão escondidas,
nas quais se geraram vidas
que, agora, não vivem mais
pois sob as ondas letais
estão pra sempre adormecidas
e há tanto tempo esquecidas
que não voltarão jamais,
vislumbrei restos mortais
de mil estradas percorridas
E, sem chorar – pois... pra quê? -,
guardei, no fundo do peito,
mais a noção que o conceito
do que, afinal, o mar é:
A todo o que se lhe dê,
tenha ou não tenha defeito,
conserva em funéreo leito
junto à jangada ou galé
em que ousou, com ou sem fé,
cruzá-lo de qualquer jeito...
Por teimosia...- e paixão! -,
ó mar que ousaste sondar-me,
não caio na tentação
de, pra vencer-te, afundar-me!
*
Maria João Brito de Sousa
26.04.2015
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Um beijo, Ana!
EliminarOlá Mª. João.
ResponderEliminarEsse mar que sempre me acompanhou, que me é vital e necessário, e talvez por isso tome a liberdade, ou ousadia, espero que não a falta de educação, de fazer o meu comentário no seguimento do teu belíssimo e inspirador poema :
"não caio na tentação de,
pra vencer-te, afundar-me!"
Caio sim na tentação de,
vencer-me, desdobrar-me,
sem que ele me alquebre
ou me deixe por vencida.
Quem navega por paixão,
na vida pode naufragar,
mas sim, esse mar soube,
e, bem, muitíssimo amar!
Mafalda Carmona 28/04/2023
Um forte abraço Mª. João!
Ah, minha linda Cotovia, o que eu gostei deste poema!
EliminarTenho andado a tentar fazer tudo o que me começa a ser impossível fazer, mas esta coisa de me esquecer do almoço e da sopinha do jantar tem de ficar muito bem definida, nem que eu peça a alguém para me comprar um despertador que eu possa fazer soar às horas das refeições, rsrsrs Não, os alarmes do telemóvel não bastam, já estão todos ocupados com medicamentos orais ou injectáveis e eu não sei como se põe a funcionar o raio do alarme do computador...
Vou guardar este poema nos meus ficheiros, como faço com todos os poemas que os amigos me vão oferecendo. :)
OBRIGADA e um grande, grande abraço!
Lida tua poesia
ResponderEliminarpor prazer
ou teimosia
regresso sempre
quer queira, quer não
por paixão
Um grande abraço, Rogério
EliminarHoje estou num daqueles dias em que só faço asneiras. Quase demoli a minha casa que parece ter sido invadida por uma horda de bárbaros, mas hei-de chegar ainda hoje ao teu Conversa Avinagrada! De momento, começo a pensar em desistir de reencaixar o raio do charriot cheio de roupa que teve um trangolomango e desmaiou, só por eu ter tido uma tonturazita e me ter apoiado nele...