POEMETOS E SONETILHOS COM VÁLVULA DE ESCAPE - Silicone
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POEMETOS E SONETILHOS COM VÁLVULA DE ESCAPE
*
SILICONE
*
No instante em que um poema
se vista de silicone,
que a Musa não me abandone
e que a minha mão não trema
*
Para que enfrente o dilema
talvez numa noite insone
em que Morfeu não ressone
e eu esteja atenta ao fonema
*
Mas se o reino do silício
me impuser maior suplício
do que este de que vos falo
*
Só poderá ser batota!
Não alinho na chacota,
antes lhe aperto o gargalo!
*
Mª João Brito de Sousa
12.04.2023 - 22.30h
***

belíssimo escape Maria João!
ResponderEliminarDigno de tudo o que escreves, com aparente facilidade tal como o grande escapista Houdini que se conseguia livrar de todas as correntes, e se houver pescoço para apertar, que seja o de Morpeu e não o meu, por causa de sonetos patetas que podem ser um verdadeiro suplício, o que é uma contradição pois não sendo chacota, é com alegria que os escrevo... já quando os partilho, é um acto de fé e esperança na leitura tolerante e generosidade de quem os vier a ler.
Abraço forte, Maria João!🐦
Ó Cotoviazinha, eu nunca, jamais, em tempo algum te apertaria o gargalo! O meu desabafo é contra a poesia de silicone, a tal que a IA está a começar a engendrar e com a qual já não sei se terei para aguentar duelos e confrontos...
EliminarO ela deveria ter chegado uns anitos mais cedo, ou eu deveria ter nascido uns anitos mais tarde
Mas estes desabafos muito simples, em redondilha menor, fazem-me melhor ao motor central do que os pensos de nitroglicerina
Parabéns pelo que conseguiste lá em cima... ou lá em baixo, eu sei lá de coordenadas neste mundo líquido!
Abraço forte
Com o farol como a tua Poesia, em sonetos, redondilhas, sonetilhos, alejandrino, o que for, poderemos sempre ajudar o rumo nesta navegação para chegar a bom porto, mesmo que leve tanto tempo como as naus dos descobrimentos, que para esta Cotovia, não se quer por a altura da bravura nem do heroísmo dos nossos antepassados, mas apenas reconhecer a dificuldade e tropeços nesta viagem decorrentes da tamanha ignorância, esperemos que a alegria e vontade sejam o contra balanço que equilibre este meu barco pequenino como uma casca de noz, neste oceano gigante onde navegas sublime, Maria João.
EliminarVamos a ver se não náufrago e me afogo.
Abraço forte Maria João 🐦
Acredita que também eu me sinto a navegar numa casquita de noz, quando me lembro quão imenso é este oceano, Cotovia...
EliminarPara Florbela, o naufrágio precoce - a morte - e um outro conjunto de circunstâncias, nem todas felizes, foi a salvação da sua obra e quando me lembro de que Camões também teve de salvar Os Lusíadas de um naufrágio, penso que o naufrágios são inseparáveis do soneto...
E isto, para não falar do meu avô que era um exímio sonetista que acabou por enveredar pelo Modernismo Presencista, com o seu "O Náufrago Perfeito"...
E falar do teu avô, é também falar do programa de 4a feira da semana passada, n' A Hora da Poesia onde foste A convidada muito especial!
EliminarUm programa muito bonito, com Pessoas bonitas, e como Poetas, extraordinários de poesia forte, impressiva.
Ficamos a conhecer melhor o Poeta António de Sousa e a sua poesia, como foi dito, sublime.
Fiquei também a conhecer a Drª Conceição Lima, muito tranquila na postura e as leituras que fez muito bonitas, tendo abordado o Modernismo Presencista como o movimento em que se pode incluir a poesia de António de Sousa.
Gostei muito.
Obrigada por teres indicado o link para que descobrisse o programa.
Hoje vou buscar o carro à oficina, onde esteve desde o início da semana para reparação da amolgadela que algum distraído fez na lateral, mesmo ao lado da tampa para abastecer o depósito de combustível, quando andou pela 'minha' rua a fazer manobras para fugir as obras da estrada, suponho eu, pois não sabendo exatamente o que aconteceu, só sei que fui presenteada com uma amolgadela...
Uma tarde boa, abraço forte, Maria João.🐦
Desculpa, Cotovia! Estiveram cá o MR e outra amiga a quem ele também dá apoio e só agora vi que não te tinha respondido a nada sobre o esplêndido programa Hora da Poesia da dra. Conceição Lima que além de ser extraordinariamente simpática e sensível, tem uma voz e uma dicção fabulosas. Eu, infelizmente, fui perdendo a dicção à medida que me foram arrancando dentes e fiquei bastante rouca desde há uns três anos... Fui a uma consulta de Otorrinolaringologia, fizeram-me uma laringoscopia e as boas notícias foram que não havia nem rasto de tumor. As más foram que tinha a laringe queimada por uma grave situação de refluxo gastroesofágico...
EliminarDisse os poemas o melhor que pude, mas com a vozinha rouca e sumida que me resta.
Além dos quinze títulos que deixou editados, António de Sousa tem uma biografia escrita por Natália Correia - A Ilha de Sam Nunca - Atlantismo e Insularidade na Poesia de António de Sousa e tem lugar entre os grandes do Modernismo Português no Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, num verbete do Professor Doutor Fernando J. B. Martinho para com quem tenho um dívida de honra que nunca poderei cumprir já que cometi o maior de todos os pecados de cortesia que foi extraviar o cartão de visita que tão gentilmente me ofereceu aquando do lançamento da obra no salão nobre da CML. Sei que o cartão está cá em casa, tão bem arrumado, tão bem arrumado num daqueles sítios escondidos onde guardamos as coisas mais importantes, que nunca mais o consegui encontrar e, agora, já nem forças tenho para procurar nada.
Quanto à "prenda" que te ofereceram, nem sei que te diga. Imagino que não saia nada barato mandar reparar uma amolgadela dessas...
Uma noite serena e repousante, pequena cotovia
Foi a sensação que o programa transmitiu, de que estávamos na presença de Pessoas do Bem, excepcionalmente talentosas, confirmo!
EliminarO universo poético de António de Sousa é profundo e vou anotar a biografia que indicas para indagar na biblioteca municipal se a têm, existe a forte possibilidade de que sim. :)
Numa próxima visita irei olhar com olhos de ver para a secção de poesia.
Aliás ainda antes disso irei provavelmente escrever um post sobre a degradação das condições edificado e de como a sala de leitura está vedada em certas zonas, com baldes pelo chão por causa das rupturas nos vidros dos vãos de parte da cobertura, há falta de estantes para os livros na sala de leitura de adultos, e como os computadores estão obsoletos e tem de funcionar, e mal, com Linux porque não aguentam outro sistema operativo, como utilizadores temos de esperar uns 10 minutos para que abram. Ainda não fui espreitar na sala de leitura dos pequeninos, mas o que se passa é indigno de quem lá trabalha e de quem usa a biblioteca. Muito triste.
Quanto à *prenda" com que marcaram o meu cavalo mecânico foi até uma sorte, porque 1 cm ao lado e não poderia ter posto combustível desde que dei conta da amolgadela, assim como não comprometeu o funcionamento de coisa nenhuma, pude tratar com calma do processo com a seguradora, tudo correu de modo muito tranquilo e até tive direito a um veículo de cortesia enquanto decorreu a reparação. Tudo porque o que não nos mata, nos torna mais fortes e desde que tive o tal acidente com perca total aos 30 anos tenho um seguro contra tudo e todos, e assim funcionou bem. Provavelmente se não tivesse este seguro ia andar com o carro amolgado indefinidamente.
Nem tudo corre mal, mesmo que sejam coisas simples é bom quando não complica ainda mais.
Uma noite descansada, até amanhã Maria João.
Mais um abraço forte.🐦
Quando a pressão aumenta Maria, automaticamente abre-nos a válvula de escape
ResponderEliminare a turbulência vira versos, a musa está sempre alerta. E como não somos adeptas
das trapaças o melhor jeito na útlima hipótese, é apertar-lhe o pescoço... hehehehe
O silicone é resistente e quando a inspiração escapa também nos serve bem ...
Beijinhos meu anjo e querida amiga . Fica bem aí na sua Portugal linda.
com abraços
Viva, Lis !
EliminarHoje fiquei-me por este sonetilho com algum sentido de humor, que andava meia exausta de tanto correr entre a poesia mais longa e os infindos problemas em que ainda estou imersa :)
Obrigada por gostares e um grande beijinho que voe sobre o Atlântico até ao teu Brasil