COM DEFEITO DE FABRICO
![]()
COM DEFEITO DE FABRICO
*
Sou bicho mal acabado
Com defeito de fabrico...
Muito me esforço e me estico
Pr`aguentar, deste legado,
O estrago e o peso pesado
Que contudo não critico:
Estou neste “fico, não fico”
Que me vem desde um passado
Há muito tempo traçado
Por um gene mafarrico...
*
Ponta abaixo, ponta acima,
Feita em cima do joelho,
Tudo em mim está gasto e velho,
Não sou nenhuma obra-prima
E se sou forte na rima
No demais... não me aconselho!
No entanto, é bem vermelho
O coração que me anima
E, batendo, me sublima...
Desde que não me olhe ao espelho!
*
Porque se ao espelho me olhasse
E ao meu reflexo imperfeito
Guardasse dentro do peito,
Talvez de mim não gostasse
E um reflexo me bastasse
Pra não ver senão defeito
Quando tendo afinal jeito,
Não deixo que o tempo passe
Sem opor-me ao desenlace
Com mais um verso escorreito.
*
Maria João Brito de Sousa
14.03.2018 – 11.02h
***

Mais importante que olharmo-nos ao espelho é a Obra que criamos! Saúde e Paz!
ResponderEliminarA quem o diz, Francisco! :)
EliminarSe nunca fui muito de olhar-me ao espelho quando era jovem - e bonita, segundo parece -, agora que estou velhota, os espelhos só me servem para tirar alguma pestana que esteja a incomodar um dos meus globos oculares ou para ver se tenho a garganta inflamada
Nesta fotografia, tirada na Fábrica Braço de Prata durante o lançamento do livro RECLUSÃO, da autoria de Laurinda Rodrigues, no qual participei com alguns poemas em conjunto com o senhor que está a meu lado, Fernando Cunha de Sá , pareço aloirada, mas é efeito das luzes. Tudo o que parece amarelo é branco, branquinho de neve e o meu "defeito de fabrico" é uma enorme quantidade de doenças autoimunes que nasceram comigo sem se terem dado ao trabalho de me preguntarem se eu estaria interessada em aturá-las. :)
Paz, saúde e um fraterno abraço!
Pois
ResponderEliminarmas cá pra mim
tamos é a ficar com a validade fora do prazo
Belas palavras sentidas MJ, beijinhos e uma bela tarde com alegria
Também, , também, mas a verdade é que tive a minha primeira tromboflebite aos 20 anos e a minha primeira pielonefrite aos 23... e foi um corrupio delas, nesse tempo em que estava no auge da validade.
EliminarPor aqui já cheira a Primavera
Feliz tarde e beijinhos
Maria João
ResponderEliminarDefeito de fabrico não será.
Todos temos algum defeito.
Mas neste trabalho não encontro nenhum defeito nem ptazo de validade.
E, sabe?! Gostei demais.
Boa semana.
Beijinhos
:)
Obrigada, Piedade
EliminarTenho algumas maleitas autoimunes congénitas: ele é o SAAFs, ele é a asma, ele é o Hipotiroidismo Autoimune de Hashimoto, ele é o Lúpus e ele é o não sei que mais, que nem digo, pois teria de escrever um livro bem grosso sobre todas as mazelas e achaques que tenho tido, rsrsrs
Felizmente tenho um ouvido mais apurado que o de uma raposa e não desafino nunca quando escrevo poemas. Aí não tenho defeitos, lá isso é verdade
Obrigada por gostar, minha amiga! Boa semana e...
Um beijo
Só a poetisa vê os defeitos... Que eu não vejo, por culpa desse coração enorme e dessa arte que nasceu com ela e com a qual nos lava a alma!
ResponderEliminarUm Poema que eu gostaria de ter criado.
Beijos nossos.
Carlos, que bom ver-te por aqui!!!
EliminarAh, garanto-te que tenho os meus defeitos, mas os piores e mais dolorosos - para mim, claro - são as várias mazelas autoimunes com que vim ao mundo e se começaram a manifestar quando tinha apenas vinte anitos.
Um enorme abraço para ti e Tila