RATIO/CUORE - Reedição

razão e coração.jpg


RATIO/CUORE
*



Lá fica a douta Razão


Incapaz de se afirmar


E sem se poder expressar,


Quando o louco Coração


Vem, tomado de paixão,


Impor-lhe quanto pensar


E, tomando o seu lugar,


Provoca a contradição


Entre a objectivação


E a paixão que o comandar...
*



Claro está que a solução


Prá coisa se controlar


E a disputa se acalmar


Nem sempre se encontra à mão


Mas, com tanta dissensão,


Há que saber encontrar


Forma de os equilibrar


Ou será certo que, então,


Sem lugar prá dissuasão,


Se acabem por confrontar
*



Chegando mesmo à agressão


Numa ânsia de conquistar,


Persuadir e derrotar


Que os foi tomando à traição


E, de cada, fez ladrão


Que ao outro tenta roubar


Prá seguir o despojar


Da legítima ambição


Ou da mera inspiração


Que, em si, possa transportar
*



O pior da situação


É quando um pede, a chorar,


Que o deixem continuar


E, a outra, a compensação


Pelo excesso de emoção


Que assim fez desatinar


E quase descarrilar


A sua concentração,


Pondo em risco a isenção


Do que tentou demonstrar!
*



Maria João Brito de Sousa


12.07.2014 - 19.01h
***

Comentários

  1. Vejo que não caíu
    e valeu a harmonia do que li
    de muita sabedoria Bela noite aconchegada MJ, beijinhos
    [º<:}}}]

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    Respostas
    1. Desculpa-me a lentidão, , mas não estou lá muito bem, hoje. Ou melhor, estou ainda menos bem do que de costume...

      Obrigada e beijinhos!

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  2. Na procura do equilibrio
    há sempre lugar ao conflito?

    Não acredito
    Entre a mente
    e aquilo que a gente sente
    nem sempre
    há desatino...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu ingénuo amigo, não o haverá para ti, nem o há para mim, mas depois de setenta anos a observar humanos comportamentos, garanto-te que este conflito é bem mais frequente do que o imaginas...

      Mas não entendo em que parte do poema encontraste esse "sempre" que eu apenas afirmaria se fosse tontinha de todo. A poesia não se baseia em dogmas. Nem a poesia, nem a maioria dos poetas anda por aí a debitar "verdades absolutas".

      Desculpa-me o atraso, mas não tenho andado no meu melhor e compreendi que era imperioso que descansasse uns dias. Ainda não sei se estou capaz de vos ler e comentar... Estou apenas a experimentar os meus actuais limites.

      Forte abraço!

      Eliminar

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