LEILÃO
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LEILÃO
*
Pus a alma à venda
Por uma noite de sono
Um remendo
Do tamanho exacto da camada de ozono
E a felicidade
Do pequeno rebanho
Que tenho de guardar
*
Ninguém ma quis comprar
E eu
Teimosa
Lancei-a a leilão
Num bairro de sucateiros
Onde alguém ma comprou
Por três dinheiros
*
Tive de a ceder
Que palavra é palavra
E eu sempre fui leal
*
Só não entendo
Por que é que ainda sonho com Morfeu
Tento engendrar o tal remendo astral
E sofro a cada dor de quem de mim nasceu.
*
Mª João Brito de Sousa
1991
In Arquétipos de Uma Mulher Interrompida
Inédito
***

Escrito em 1991, mas a dor ficou.
ResponderEliminarE essa nunca morrerá.
Um poema sofrido e muito comovente.
Que amanhã o sol brilhe no seu coração.
Beijo amigo
Piedade Araújo Sol
ResponderEliminarEscrito em 1991, mas a dor ficou.
E essa nunca morrerá.
Um poema sofrido e muito comovente.
Que amanhã o sol brilhe no seu coração.
Beijo amigo
Piedade Araújo Sol
link do comentárioresponder
Não é bem assim, Piedade . Um ser humano não pode viver mais de trinta anos em dor constante, a menos que esteja emocionalmente desequilibrado... ou psicologicamente perturbado ou mesmo destruído. A ferida fica aberta e provoca-nos dores excruciantes durante alguns anos, mas acaba por ir cicatrizando lentamente. A cicatriz é que nunca desaparece.
EliminarUm beijo!
Nem a um poeta
ResponderEliminarse perdoa
por a alma à venda
(só por liberdade poética)
Abraçinho
Aposto que o perdoarias a uma poeta que acabara de perder um filho, Rogério.
EliminarForte abraço!
Eu pecador me confesso
ResponderEliminarmas não tropeço
porque se não me cresce um obsesso
Brinco com alegria às palavras que li
de profundas serem
Bom dia com alegria
e boa semana em harmonia
de Outono colorido prá fantasia MJ, beijinhos
Bom dia com alegria, !
EliminarRetribuo os votos de uma excelente e harmoniosa semana
Beijinhos