"ERA UMA CASA PEQUENA"

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ERA UMA CASA PEQUENA
*


"Era uma casa pequena",


Tão pequena que não sei


Como coube nela a cena


Que em seguida contarei;
*


Não foi rainha nem rei,


"Era uma casa pequena",


Quem nesse espaço encontrei


Em tempos, em tarde amena
*


Foi uma mulher serena,


Mais do que eu jamais serei...


"Era uma casa pequena"


Essa, onde um dia morei
*


E se dela me lembrei


Foi por saudade ou por pena


De algo a que não voltarei;


"Era uma casa pequena".
*


 


Mª João Brito de Sousa


13.11.2021 -11.00h


***


Poemeto criado a partir de um verso/mote de Joaquim Sustelo para o Horizontes da Poesia


 

Comentários

  1. "Era uma casa pequena" / Numa Cidade Morena / Numa noite de verbena / Com perfume d'açucena!
    Muita Saúde. (Hoje, deu-me para comentar com rima.)

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    1. E fez muito bem, Francisco

      Muita saúde, muita inspiração e um fraterno abraço

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  2. Tão singelo, gostei tanto deste teu soneto, faz-me lembrar a casinha onde fui menina e adolescente! Um obrigada por esta encantadora partilha! Beijinhos, um fim de semana tranquilo 🌼🌷

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    1. Não é um soneto, Sandra; é um poema composto por quatro quadras em redondilha maior, exactamente como as quadras populares, com a particularidade de começar e acabar num verso/mote dado por outro/a poeta

      Obrigada por teres gostado dele.
      O relógio de cuco foi surripiado a alguém, através do Google. Não resisto a um velho relógio de cuco que também me faça recordar a casa de Algés

      Beijinhos e um bom fim-de-semana

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    2. Tens razão, ainda ando à luta com o conceito de Soneto! Parece-me tão difícil e exigente a nível de tempo e dedicação, é que tem que cumprir uma série de regras e a minha (pouca) imaginação não ajuda nadinha!

      Moraste em Algés, e eu, perto de Carcavelos, não era longe! Antes adorava ir de comboio passear por Algés, ver as montras, ir ao café.. hoje, nem tanto... parece que muita coisa perdeu-se no tempo!
      beijinhos, e obrigada pelas tuas explicações!

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    3. Ora, não te preocupes! É até bem compreensível, já que eu me considero, essencialmente, uma sonetista, embora escreva qualquer tipo de poesia. Quanto às regras - detesto chamar-lhes regras, faz parecer que os sonetistas andam todos espartilhadinhos enquanto escrevem... - o "poeta de ouvido" nem precisa de as seguir, pelo menos conscientemente; há uma musicalidade muito própria do soneto que flui tal qual a música instrumental, mas sem precisar de se consultar uma pauta... é como se realmente existisse uma pauta invisível ou como se essa pauta já tivesse sido incorporada pelas nossas células cerebrais... E isto funciona com todos os verdadeiros sonetistas, não é só comigo

      Beijinhos

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    4. Sim, acho que com a prática, a forma de escrita que faz do soneto um soneto, passa a ser algo automático! Mas continuo a achar que é só com a prática que eu lá chegaria 🌷

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    5. Creio que o soneto funciona como as minhas/nossas humanas paixões; quando nos apaixonamos por eles, é para o resto da vida. Pelo menos assim aconteceu comigo, em 2007. Colou-se-me aos ouvidos e ainda por cá anda a pulsar ao ritmo do

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  3. Passei, não há muito, pela tua "casa pequena"
    e o que se oferece dizer
    que era (é) uma grande casa
    mas, certamente pequena
    para a tua envergadura de asa
    e para a dimensão do teu poema

    Abraço maior que a casa

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    1. Eheheheh... era e é uma grande casa, sim, Rogério, mas eu tinha de glosar o mote do Joaquim Sustelo; "Era uma casa pequena"...

      Abraço GRANDE!

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  4. Lembrei-me logo da canção "A Casa", musicada pelo saudoso Vinicius de Moraes:

    https://www.youtube.com/watch?v=ECQgOLWAJNE

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    1. Obrigada, Fernando! Quando tinha boa voz, cantava muitas vezes esse tema...

      Um abraço

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