SOU UM POÇO POR ENCHER...

SOU UM POÇO POR ENCHER
*
"Desde os tempos de criança"
Que me recordo de ser
Bicho livre, fera mansa
Que se não deixou prender...
*
Estou, porém, presa a valer
"Desde os tempos de criança"
Aos versos que ousei escrever
Como quem nunca se cansa
*
De pesar-se na balança
Do que deve, ou não, fazer...
"Desde os tempos de criança"
Que vivo para aprender
*
Pois não me basta saber
O pouco que aqui se alcança;
Sou um poço por encher
"Desde os tempos de criança"!
*
Maria João Brito de Sousa - 26.09.2020 - 18.05h
*
Quatro quadras a partir de um verso/mote de Teolinda Marreiro
Poema criado para um desafio no site Horizontes da Poesia

Gostei de saber
ResponderEliminarseres poço por encher
gostarás que te diga
que eu sou poço sem fundo
onde me cabe tudo
e até me cabe
um pouco de maldade
SONETO EM VERSO HENDECASSILÁBICO
Eliminar*
A maldadezinha, não sei se em mim cabe,
Só mordacidade de mim se avizinha
Quando estou sozinha... e que bem me sabe!
Não terei maldade, mas não sou santinha!
*
Não serei mazinha, nem terei vaidade;
Serei, na verdade, como a ribeirinha
Que corre à beirinha do que mais lhe agrade...
Não fui ao Arade, nem pesquei sardinha
*
E não me entretinha ler monsieur de Sade
Nem tive vontade de o meter "na linha",
Antes ia asinha, fugindo à saudade
*
Ver se, em realidade, havia na cozinha
Roscas de farinha e barrigas de frade...
Não tenho maldade, nem sou boazinha!
Maria João - 27.09.2020
Forte abraço, Rogério