PONTO A PONTO, PEÇA A PEÇA

Ponto a ponto....jpg


PONTO A PONTO, PEÇA A PEÇA...
*
I
*


Ponto a ponto construídas


Por mãos hábeis e seguras,


As peças ganham costuras


E em breve serão vestidas


Ajustadas e medidas


Sobre corpos. Mil mesuras,


Quem sabe?, algumas censuras


E eis as peças convertidas


Em roupagens coloridas;


Golas, mangas e cinturas


*
II
*


Mais ou menos apertadas,


Discretas, inovadoras,


Ousadas, conservadoras,


Sempre são requisitadas


Todas as peças criadas


Pelas mãos trabalhadoras


Dos homens e das senhoras


Do corte e das tesouradas


Que sabiamente são dadas


Por gentes conhecedoras
*
III
*


Cobrem-se homens ou mulheres


E criancinhas também


Com a roupa que lhes vem


Do trabalho desses seres;


Têm essas mãos saberes


Que esta minha mão não tem...


Sem olhos que vejam bem,


Quem me dera ter poderes


Pr`acabar uns afazeres


De que agora estou refém...
*


 


Maria João Brito de Sousa - 06.08.2020 - 14.34h


 


 


Poema em décimas criado para um desafio poético no site Horizontes da Poesia


 


Imagem retirada daqui

Comentários

  1. Belíssima a participação da Sonetista mais famosa da blogosfera.
    Gostei muito deste poema de corte e costura.

    Creio que este gosto me está a pegar
    e sem aos seus calcanhares chegar
    cá me vou aventurando em loucuras
    a última das quais sairá,
    quando no relógio da torre
    as doze badaladas soarem.

    Beijinhos, Maria João.

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    1. Muito obrigada, Janita

      A essa hora - se é de hoje que fala - já devo estar no meu segundo ou terceiro sono, rsrsrs... Mas amanhã verei a sua nova e misteriosa obra.

      Beijinhos

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  2. Maria Elvira Carvalho6 de agosto de 2020 às 20:24

    Pois é amiga. Os olhos são essenciais para a costura e para muito mais. Eu que estava sempre a fazer roupinhas para a Mariana quando ela era bebé, que até uma dúzia de fraldas lhe pintei, ainda não costurei, bordei, pintei uma única peça para a Margarida e ela já vai fazer um ano na Quarta feira.
    Abraço e saúde

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    1. Nunca fui de grandes costuras, amiga. Cosi algumas bainhas e bolsos rotos e aprendi sozinha a passajar meias porque as minhas filhas, quando eram pequeninas, as rompiam quase todos os dias. Dizem que a necessidade aguça o engenho e, neste aspecto, assim foi...

      Agora tenho algumas peças de roupa a precisarem de uns pontinhos, mas nem as agulhas vejo, quanto mais os buraquinhos nos quais enfiar a linha...

      Abraço e muita saúde, Elvira

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  3. Inspiração da boa MJ
    que quem como nós já foi trabalhador
    agradece e não esquece

    Bom fim de Semana
    humor do bom
    e bom dia em alegria
    que por aqui
    é só fumaça e mais fumaça pfiiiuu

    Beijinhos

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    1. Bom dia, Anjo! Obrigada

      Que tristeza, ver a tua linda Serra devastada pelas chamas...

      Beijinhos

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