UM MOMENTO DE PESSIMISMO... OU TALVEZ NÃO:

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UM MOMENTO DE PESSIMISMO... OU TALVEZ NÃO.


*


(Décimas)


*


 


Num só dia, ao meio-dia,


Morrem mil ou mais de mil...


O monstro, no seu covil,


Infectando o que podia,


Alimenta a pandemia...


Nem sequer respeita Abril


A pestilência subtil


Que nos deixa em agonia,


Sem trabalho ou garantia


De um porvir menos que vil!


 


*


Ao longe, lá muito ao fundo,


Vemos a grande Ceifeira


Ceifando uma vida inteira


Em bem menos de um segundo...


Estará condenado, o mundo?


Chega a nós, de nós se abeira


De alguma estranha maneira,


O cheiro nauseabundo


De algo putrefacto, imundo...


É um “cheiro” que não cheira,


 


*


Que se intui, que se pressente


E que, depois, se deduz...


Veja-se um ponto de pus


Sobre a escara de um doente;


A princípio nem o sente,


Mas depressa se traduz


Numa infecção que o reduz


A ficar mais dependente...


Temo bem que um mal latente


Venha atrás do que hoje é luz!


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 02.04.2020 – 14.00h


 


 


Imagem retirada da WWW via Google

Comentários

  1. Maria Elvira Carvalho2 de abril de 2020 às 21:05

    Pessimismo mesmo. Gostei mais dos anteriores. Desculpe a franqueza, amiga.
    Abraço e saúde

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    Respostas
    1. Está desculpadíssima, Elvira. O leitor tem e sempre terá direito às suas preferências.

      No entanto, deixe que lhe diga que a poesia é e deve continuar a ser rebelde, capaz de atirar pedras ao charco, capaz de fugir a redutor estatuto de "coisinha bonita e bem comportada".

      A minha poesia é, por vezes, dura, bem o sei, mas posso garantir-lhe que estas décimas tiveram sobejas razões para nascer.

      Obrigada e um forte abraço, amiga.

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