ENTRE PILHAS DE LOIÇA SUJA

Lavar-Louça-Suja-–-Dicas.jpg


ENTRE PILHAS DE LOIÇA SUJA


*


 


De dor estou morta, tão morta


Que nem consigo entender


Se o meu corpo a dor suporta,


Se de dor está a morrer...


*


Mesmo “cega”, manca e torta,


Lavei, talher a talher,


Um faqueiro inteiro, absorta


No que tinha pra fazer;


*


 


Peça por peça lavei


Muito mais que o que sonhei


Que fosse humano lavar


*


Mas, às tantas, desisti


E à dor nas costas cedi


Antes de a loiça acabar...


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 20.04.2020 -  11.07h

Comentários

  1. Maria Elvira Carvalho20 de abril de 2020 às 15:56

    Caramba amiga, tanta loiça assim?
    Vejo que a sua veia poética se dá melhor com a clausura do que as costas com a loiça para lavar.
    Gostei de ler. Eu então estou pouco inspirada ultimamente. Mas dores nas costas também tenho . Não de lavar loiça, mas de andar com a neta ao colo. Tem oito meses e 10 kg.
    Abraço e uma boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eheheheh.. esta fotografia foi "roubada" da Web, via Google, amiga. A minha loiça suja não era assim tanta, rsrsrs...
      Mas eu tenho muita, mesmo muita dificuldade em estar de pé parada a fazer seja o que for...
      Já assim acontecia devido à enorme escoliose que tenho. mas o problema piorou muito desde que fracturei uma vértebra. Pode estar segura que nem me passaria pela cabeça pegar num bebé recém-nascido, quanto mais num com dez quilos. Ser-me-ia totalmente impossível.

      Claro que o facto de andar a coleccionar graves infecções urinárias há dez anos, também não ajuda nada. Neste momento estou a ser medicada para uma dessas UTIs que, infelizmente, nem sequer está a ceder à antibioterapia.

      Penso que tem razão; é-me bem mais fácil escrever um bom soneto do que lavar meia dúzia de pratos, rsrsrsrs...

      Obrigada e um forte abraço!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares