PASSAM AS POMBAS EM BANDOS

VOAM AS POMBAS.jpg


PASSAM AS POMBAS EM BANDOS


*


(Décimas)


I


*


 


Passam as pombas lá fora


Exercendo o seu direito


Ao vôo livre e perfeito


De que nos privam agora...


Hoje, um só passo é demora,


O espaço é mais curto e estreito


E até o tempo, esse eleito,


Ousou expandir cada hora...


Voa bem alto e nem chora


A dor que trago no peito!


*


II


*


 


Pode até ser um queixume,


Um grito mal apagado


Nas cinzas do meu passado


Que já foi espanto e foi lume


E que agora se resume


A este delírio alado;


Voam, rasando o telhado,


Pombas, como de costume...


 Que absurdo! Sinto ciúme


Até de um vôo inventado...


*


III


*


Da terra que já não piso,


Das pombas que vão passando


E sobrevoam, em bando,


Este meu último piso...


Volto a mim. Choro de riso


 E, de mim, fico troçando


Enquanto as pombas, voando,


Me afirmam não ser preciso


Rir-me da falta de siso


Que a solidão vai gerando.


 


*


 


Maria João Brito de Sousa – 26.03.2020 – 19.14h

Comentários

  1. Maria Elvira Carvalho27 de março de 2020 às 00:02

    Gostei muito. A solidão é perniciosa, mas infelizmente nem sempre nos podemos livrar dela. Gostei muito do poema. Mas há uma décima com 12 versos?
    Abraço e saúde

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    1. Obrigada, Elvira!

      Tem toda a razão, esqueci-me de "travar" a tempo e, como tenho de agigantar a letra, perdida a visão do poema no seu todo, fui por ali fora como se estivesse sem travões, rsrsrs
      Só quando entrei a medo para o publicar no meu mural do FB, reparei que a segunda estrofe estava enorme... vou já corrigir.

      Forte abraço

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  2. Inventemos de novo a mente
    voemos
    até um lugar bonito e contente

    De excelência o teu Poema
    Beijinhos e um belo dia que é já fim de Semana

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    Respostas
    1. Eu nunca me esqueci de ir reinventando a mente, Anjo

      Obrigada, beijinhos e um excelente fim-de-semana. Na medida do possível, claro... sempre gostei da solidão, mas reajo mal à reclusão imposta...

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