NO SILÊNCIO EM QUE TO DIGO
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NO SILÊNCIO EM QUE TO DIGO
*
(oitavas)
*
Vem! Vem sentar-te à lareira
Das cinzas do meu poente...
Vem, filho de toda a gente,
Que eu não sou mais que uma obreira
Destoutra estranha maneira
De ser rainha e servente
Da pequenez da semente
Perdida na sementeira.
*
Senta-te à mesa comigo,
Prova este pão amassado
Sobre as letras de um teclado
Que é meu prémio e meu castigo,
Pois, pra pão, falta-lhe o trigo
E o fermento de um trinado
Que se solte e soe ao fado
Do silêncio em que o mastigo.
*
Maria João Brito de Sousa – 25.11.2019 - 09.25h
Imagem retirada daqui

E quando quentinho
ResponderEliminarcom manteiga
afina seja que dentinho
Belo Poema de tom e cariz inspirador MJ
Beijinhos e um belo dia, embora frio e chuvoso
Obrigada, Anjo!
EliminarBeijinhos
A este pão-poema pode faltar o trigo e o fermento, mas a inspiração é que não falta, como sempre. Gostei muito.
ResponderEliminarQuanto ao pão propriamente dito da imagem, estou aqui a salivar que nem um desgraçado! Comia-o já!
Sirva-se, Fernando! A poesia é para comer, como dizia a Natália
EliminarDesculpe-me o atraso mas cada vez tenho menos espaço funcional no cristalino e vivo a fugir das dores de cabeça incapacitantes a que a leitura e a escrita me vão condenando.
Forte abraço
Tão consolador... lê-la!
EliminarMuito grata, Zilda!
EliminarForte abraço