DO PULSAR DESTE MOMENTO

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DO PULSAR DESTE MOMENTO


 


(Décimas)


 


*


Do pulsar deste momento


(meu ventre ou minha razão?)


Nasceu-me a vã tentação


De ser mais livre que o vento...


Só eu sei quanto lamento


Não poder dizer que não


Se outro momento, à traiçáo,


Rouba ao meu pão seu fermento.


Cerro os dentes, mas nem tento


Pedir-lhe a devolução...


*


 


Não peço coisas que são


Do meu espanto documento


Pois é delas que alimento


Esta eterna insurreição.


Meu bote não tem travão;


Mais calmo ou mais turbulento


Conforme, apressado ou lento,


Sopre o vento de feição,


Retoma a navegação


Até esgotar-se em talento.


 


 


*


 


Maria João Brito de Sousa – 06.09.2019 – 11.07h

Comentários

  1. E com alegria
    vai toda a simpatia

    Beijinhos e um belo fim de Semana MJ

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  2. É sempre com muita alegria que leio algo novo, pois penso que isso é motivo de melhoras na sua precária saúde.
    Abraço e bom fim-de-semana

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    1. Não me sinto nada melhor, mas tento aproveitar ao máximo estes dias quentes e dourados, bem como o pouco que me resta de visão, amiga.

      Muito obrigada e um forte abraço

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  3. Mais um lindo poema seu, que me deixa sem palavras, Maria João!
    Quem dom maravilhoso, que talento!
    Uma vez mais e sempre, a parabenizo por estes momento de encanto.
    Parabéns!

    Beijinhos e que esta semana traga melhoras à sua débil saúde,

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  4. Boa tarde amiga.
    Tenho a certeza de ter lido e comentado este post.
    Surpreende-me não ver o comentário.
    Que terá acontecido?
    Abraço e uma boa semana

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  5. Afinal o comentário está cá eu é que não o tinha visto.
    Peço desculpa.
    Abraço

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    1. Peço desculpa, Elvira.
      Só agora volto a entrar na minha caixa de correio electrónico, nem dei pelo seu susto. Mas penso que o seu comentário sempre esteve no sítio certo pois ainda lhe respondi...

      Abraço

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  6. É uma maravilha, este poema. Fiquei cheio de inveja da sua musa. Embora seja bisneto de um poeta, sou completamente prosaico.

    Eu gosto muito de décimas, pois contêm um ritmo mais elaborado, no seu jogo de rimas aparentemente desencontradas, do que as quadras, que são muito quadradas. Os poetas populares do Alentejo são verdadeiros mestres na arte de fazer décimas (além da Maria João, claro). Aqui no Norte, infelizmente, os poetas populares preferem fazer quadras.

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    1. Esqueci-me de me identificar no comentário anterior. As minhas desculpas.

      Fernando Ribeiro

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    2. Muito obrigada, Fernando.

      Devo confessar-lhe que cresci entre poetas do Modernismo Português e que só tomei contacto com as décimas bastante recentemente (2013, 2014?). Recordo-me de ter sido um poema em décimas do Joaquim Sustelo que me deu o empurrãozinho que faltava para que eu me atrevesse a construí-las.

      Abraço

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