POEMA A QUATRO MÃOS - Eu e Joaquim Sustelo

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E sempre que a neve chora


Lamentando as suas mágoas,
Os rios recebem águas
Que transportam campos fora...



Há um sorriso que aflora
Ao camponês que sossega
Podendo fazer a rega 
De suas plantas-sustento
Que também são alimento 
De outras vidas, toda a hora.


 


Joaquim Sustelo



Assim, sorrindo ou chorando,


Conforme nos seja imposto,


Vamos, de neve no rosto,


Passando, amigo, passando,


Enquanto a chuva, encharcando,


Vai repondo o mar de Agosto


Onde banhamos, com gosto,


O que lembrarmos, lembrando


Quanto vivemos, vibrando,


Enquanto éramos só mosto





E em chegando a Primavera


Da geração que se segue,


Sabemos – não há quem negue... -,


Estar o Inverno à nossa espera,


Passou-se toda uma era


E já por nós foi entregue


A semente, pra que a regue


A mesma eterna quimera,


Que a vida, como esta esfera,


Não tem espaço que nos chegue...








Maria João Brito de Sousa - 01.03.2018 -15.58h


 

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