ISCAS COM... GRALHAS
Que ricas, que ricas iscas
Sem gralhas, mas com batatas!
Boas em todas as datas,
Como as velhas pataniscas
Que às pessoas mais ariscas,
As do "ragôut" e das natas,
Os ditos aristocratas
Que não tocas, nem beliscas,
Parecem coisitas piscas,
Mas, pra mim, que uso alpercatas,
Ou sandálias, pois então!,
São verdadeiro manjar,
Pitéus para degustar
Até à... indigestão,
Não fora a dona Razão
Dizer que é melhor parar,
Que ir atrás do paladar
Sem lhe meter um travão,
É não ter em atenção
O que a razão nos ditar...
Embora, em tempos antigos,
Só comesse “haute cuisine”,
Hoje, isso não me define
E, agora, até como artigos,
Verbos, vírgulas... amigos,
Perdoai que eu desafine
E que, às vezes, desatine;
Troco fonemas por figos,
Nem sequer vislumbro os p`rigos
Por muito que raciocine,
Me concentre e tente vê-los,
A verdade é que me escapam
E entre os figos se me alapam...
Eu fico pelos cabelos;
Tento construir castelos,
Nascem gralhas que derrapam
Na rigidez dos meus zelos...
Mais valera nunca erguê-los,
Mas, alguns, a mim se atracam
Qu`rendo ver se se destacam,
Se vão, ou não, crescer belos...
O tal “dolce fare niente”
Não foi feito para mim,
Embora esteja no fim
Do meu percurso de gente...
Enfim, serei imprudente,
Mas prossigo mesmo assim!
Que hei-de fazer se o jardim
Já não está tão florescente,
Nem mais, como antigamente,
Cheira a cravo e a alecrim
Um chão que foi benjamim
De alguém bem mais competente?
Maria João Brito de Sousa – 14.03.2018 -15.48h


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