COM DEFEITO DE FABRICO

ROUAULT.jpg


 


Sou bicho mal acabado


Com defeito de fabrico...


Muito me esforço e me estico


Pr`aguentar, deste legado,


O peso, o peso pesado


Que, contudo, não critico;


Estou neste “fico, não fico”


Que me vem desde um passado


Há muito tempo traçado


Por um gene “mafarrico”...





Ponta abaixo, ponta acima,


Feita em cima do joelho,


Tudo, em mim, está gasto e velho,


Não sou nenhuma obra-prima


E se sou forte na rima,


No demais... não me aconselho!


No entanto, é bem vermelho


O coração que me anima


E, batendo, me sublima,


Desde que não me olhe ao espelho,





Porque se ao espelho me olhasse


E ao meu reflexo imperfeito


Guardasse dentro do peito,


Talvez de mim não gostasse


E um reflexo me bastasse


Pra não ver senão defeito


Quando tendo, afinal, jeito,


Não deixo que o tempo passe


Sem opor-me ao desenlace


Com mais um verso escorreito...








Maria João Brito de Sousa – 14.03.2018 – 11.02h


 

Comentários

Mensagens populares