SEM SAIR DO MEU LUGAR
Bebi de todas as fontes
Que por cá pude encontrar;
Andei por terra e por mar,
Escalei escarpas, subi montes
E fui rasgando horizontes
Sem sair do meu lugar.
Paradoxal, na postura,
Crio de dentro pr`a fora;
A mil milénios por hora
E nunca um pneu se me fura,
Nem desgasto a viatura,
Ou a multa me apavora,
Mas, pr`a dizer a verdade,
Vez por outra me ressinto
De estar neste labirinto
E vem roer-me a saudade
De andar sem dificuldade,
Sem destino e por instinto,
Em vez de estar dependente
Da boleia ocasional
Pr`ó GIP ou pr`ó hospital
E incomodar tanta gente
Por ter ficado impotente
Pr`á locomoção normal...
Quaisquer cinquenta passinhos
São, pr`a mim, uma odisseia
Pois logo a dor me golpeia;
Passo a passo, ando uns metrinhos
Sobre estes pés tolhidinhos
Pela força que escasseia...
Maria João Brito de Sousa – 05.09.2017 – 11.22h
(… a brincar, a brincar... mas retratando fielmente a minha realidade)
IMAGEM - "Femme Assise" - Pablo Picasso

Deixo uma flor
ResponderEliminarnos desejos de uma boa e feliz noite
que aqui o Joni
também já tem
as perninhas um tanto mirradinhas
Beijinhos de aqui dos Calhaus da Covilhã
Olá, Anjo!
EliminarHá muito que te não via por cá, mas... se bem me lembro, tens uns anos a menos do que eu e, não tendo nenhum grave problema de saúde, deves estar um bocadinho menos "empenado", eheheh...
Obrigada pela visita e pela flor!