POETANDO

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POETANDO


*


Lembro que um patinador


Patina, não faz patins,


Nem outras coisas afins,


E que qualquer bom escritor


*


Escreva, ou não, regularmente,


Não escritura, escreve mesmo;


Ainda que o faça a esmo,


Escreverá concretamente,


*


Portanto, lá vai escrevendo,


Seja verso ou seja prosa


E mesmo que abrace a glosa,


Também escritor estará sendo,


*



Pese esta irregularidade


Com que o mesmo se confronta


Nessa acção, quando não conta


C`o verbo, em desigualdade...


*





Quem medica não “virou”


Fábrica ou laboratório!


De hospital ou consultório,


Para médico estudou.


*


Farmacêutico, estudando,


Não quer farmácias erguer;


Muito tem para saber,


Mas não está farmaticando.


*





O bom produtor, produz,


Não produta, de certeza,


Tudo quanto chega à mesa


De um condutor... que conduz


*





Talvez algum camião


Que na estrada vá rodando,


Em vez de estar camionando...


Eis outra contradição!


*


Remador, não faz reminhos,


Faz dos remos profissão!


Remando exerce a função


De ir varando os seus caminhos.


*


Arquitecto faz projectos,


Mas não passa a projector


Por produzir tal labor


Nos seus diversos aspectos,


*





No entanto, é projectando


Que vai pela vida fora;


Projecta enquanto labora


No que vai arquitectando.


*


Por que deve um espectador


De um qualquer filme que passe,


Sentir-se tal qual espetasse,


Quando passa a espetador?


*


E o que impede um poeta


De ir por aí poetando


Os versos que for gerando


Se um poema é sempre a meta?


*


Poetando, não me assumo


Grávida de poetinhas,


Mas assumo serem minhas


Estas quadras. Meu, o rumo!


*


Maria João Brito de Sousa – 07.09.2017 – 11.26h











 

Comentários

  1. E Viva a inspiração
    e a arte de tudo dizer
    num quadrar do Coração...

    Gostei
    e desejo uma grande e feliz noite
    beijinhos

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