O MEU NOME

digitalizar0008.jpg


O MEU NOME


*


Sou João. Se vês Maria


Precedendo o meu João,


Não tem esse outra razão


Senão... a burocracia


Que nunca permitiria


A meu pai, homem bem são,


Que quebrasse a tradição


Que para os sexos havia...


Hoje, tudo a contraria


Mesmo quando o faz em vão...
*





Bazilio, vem-me da mãe


E surge, agora, com “z”


Sem que eu perceba porquê,


Nem que graça é que isso tem


Pois com “s” se mantém


Sempre que o possa escrever:


Dizem que logo ao nascer


Ficou escrito... e estava bem,


Por isso o “z” me convém...


Mas isso depois se vê!


*


Vem-me o Brito de meu pai;


Trouxe a pintura consigo


E é, por isso, um nome amigo,


Um nome que se não trai,


Que nunca oscila, nem cai,


Como é próprio de um abrigo,


Muito qu`rido, muito antigo...


Deixai-o ficar, deixai,


Porque é firme e não se esvai,


Nem foge ao primeiro p`rigo.


*





O “de” surge a harmonizar,


Nunca serviu pra mais nada,


Mas... a coisa harmonizada


É bem melhor de se olhar!


Del` não consinto abdicar,


Nem que me sinta obrigada


A assinar-me abreviada:


Esse “de” tem de constar!


Sou mulher pra me zangar,


Se por isso for “gozada”...


*


Sousa... quem sou sem o Sousa?


Uma poeta qualquer?


Uma tonta? Uma mulher


Que ousa demais só porque ousa


Pôr no papel ou na lousa


O João... se lhe aprouver?


O Sousa deu-me o saber


E a paz em que hoje repousa...


Deu-me tanto e tanta cousa*


Que as nem posso descrever!


*


Maria João Brito de Sousa – 04.08.2017 – 13.06h


*


 


* António de Sousa, o meu avô poeta, nasceu no Porto, na Calçada das Virtudes.


 


À Helena Teresa Ruas A. S. Reis que me inspirou estas décimas.


 

Comentários

Mensagens populares