O MEU NOME
O MEU NOME
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Sou João. Se vês Maria
Precedendo o meu João,
Não tem esse outra razão
Senão... a burocracia
Que nunca permitiria
A meu pai, homem bem são,
Que quebrasse a tradição
Que para os sexos havia...
Hoje, tudo a contraria
Mesmo quando o faz em vão...
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Bazilio, vem-me da mãe
E surge, agora, com “z”
Sem que eu perceba porquê,
Nem que graça é que isso tem
Pois com “s” se mantém
Sempre que o possa escrever:
Dizem que logo ao nascer
Ficou escrito... e estava bem,
Por isso o “z” me convém...
Mas isso depois se vê!
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Vem-me o Brito de meu pai;
Trouxe a pintura consigo
E é, por isso, um nome amigo,
Um nome que se não trai,
Que nunca oscila, nem cai,
Como é próprio de um abrigo,
Muito qu`rido, muito antigo...
Deixai-o ficar, deixai,
Porque é firme e não se esvai,
Nem foge ao primeiro p`rigo.
*
O “de” surge a harmonizar,
Nunca serviu pra mais nada,
Mas... a coisa harmonizada
É bem melhor de se olhar!
Del` não consinto abdicar,
Nem que me sinta obrigada
A assinar-me abreviada:
Esse “de” tem de constar!
Sou mulher pra me zangar,
Se por isso for “gozada”...
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Sousa... quem sou sem o Sousa?
Uma poeta qualquer?
Uma tonta? Uma mulher
Que ousa demais só porque ousa
Pôr no papel ou na lousa
O João... se lhe aprouver?
O Sousa deu-me o saber
E a paz em que hoje repousa...
Deu-me tanto e tanta cousa*
Que as nem posso descrever!
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Maria João Brito de Sousa – 04.08.2017 – 13.06h
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* António de Sousa, o meu avô poeta, nasceu no Porto, na Calçada das Virtudes.
À Helena Teresa Ruas A. S. Reis que me inspirou estas décimas.

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