COM MEUS VERSOS...

fabula-e-verdade- Jose de Brito.jpg


 


(Décimas)





I


Com meus versos, moldo enfeites,


Faço brincos de cerejas,


De giestas ou carquejas...


Não me deito onde te deites,


Mas espero que me aceites


Quando sem jóias me vejas...


Não quero é que me protejas


Dos meus pequenos deleites,


 Nem daquilo que rejeites


Quando os meus versos cortejas


*


II


Aceito a mão solidária,


Mas jamais aceitarei


Pena ou dó, se os provoquei:


Orgulhosa e solitária,


Sou apenas uma operária


Dos versos que arquitectei...


Chamem-me fora-da-lei,


Porém, nunca mercenária:


Amo a causa partidária


Em que sempre confiei!


*


III


*


Findo aqui, onde me assumo


Cinza que sobrou de mim,


Fruto que, em chegando ao fim,


Terá dado pouco sumo


Mas foi seguindo o seu rumo


Nunca fingindo que sim...


Não sou de ouro, de marfim,


Nem produto de consumo:


Se ardo, desfaço-me em fumo,


Resumo-me a ser assim!


 





Maria João Brito de Sousa – 17.08.2017 – 19.36h


 


 


Imagem - "Fábula e Verdade" - José de Brito (meu bisavô)


 

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