AS DUAS METADES

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Um pé no mar, outro em terra,


Pergunto-me, dividida;


-Em qual das margens da vida


Mais o verso se me entrega,


Quando em ambas há refrega


E, em ambas, ando perdida?





Numa, já criei raiz,


Noutra, oiço a maresia


Convidar-me à Poesia


E, nas duas, sou feliz,


Pese o muito que o desdiz


Este assomo de ousadia...





Vou pelas rochas costeiras,


Pisando o chão junto ao mar


Para melhor me encontrar;


Se me coube ser de Oeiras,


É nas horas derradeiras


Que mais a sinto o meu lar...





Oscila-me o coração,


Entre terra e mar sem fim


E, pr`a não sentir-me assim,


Faço como Salomão;


Rasgo a causa da cisão


Em dois pedaços de mim!








Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 20.29h


 

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