APOGEU POÉTICO AVL

Aleixo - com flores.JPG


 


APOGEU POÉTICO AVL


 


"CELEBRANDO O ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DO POETA ANTÓNIO ALEIXO, PATRONO DA AVL".


 


Patrono: Florbela Espanca


Académica: Maria João Brito de Sousa


Cadeira: 06


 


 


ONDE NASCERAM A CIÊNCIA E O JUÍZO?





MOTE

- Onde nasceu a ciência?...
- Onde nasceu o juízo?...
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!

GLOSAS

Onde nasceu o autor
Com forças p'ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor?
Onde nasceu tal valor?...
Seria uma força imensa
E há muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo;
Mas antes de tudo isto,
Onde nasceu a ciência?...

De onde nasceu o saber?...
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver?
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
Até o mundo ter fim...
Não há quem me diga a mim
Onde nasceu o juízo?...

Sei que há homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses não sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicionário...
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.

Ao primeiro homem sabido,
Quem foi que lhe deu lições
P'ra ter habilitações
E ser assim instruído?...
Quem não estiver convencido
Concorde com este aviso:
- Eu nunca desvalorizo
Aquel' que saber não tem,
Porque não nasceu ninguém
Com tudo quanto é preciso!


 




António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


 


***


 


 


RESPOSTA(S)


 


 


"- Onde nasceu a ciência?...",


Perguntaste abruptamente...


Respondi: - Nasceu de gente


Que viu pr`além da aparência...


Teve, a questão, pertinência


E eu fiquei muito contente


Por saber ter pela frente


Alguém cuja inteligência


Já roçava uma insurgência


Ampla, profunda, abrangente.


 


"- Onde nasceu o juízo?..."


Perguntaste-me a seguir,


Melhor qu`rendo discernir


Se a resposta era um sorriso,


Ou se o dissertar conciso


Que o verso me permitir...


Sem sequer ousar sorrir,


Respondi com muito siso:


- Ah, não foi no Paraíso,


Nem nos´sonhos de dormir`!


 


"Calculo que ningúem tem"


Melhor forma de explicar


Que o juízo não tem lar,


Ninguém sabe de onde vem,


Nasce em todos nós, também,


E não se pode expulsar


Essa coisa de ajuizar


Que serve o mal e o bem...


Ninguém o sabe, ninguém!


Nem quem julga não julgar!


 


"Tudo quanto lhe é preciso"


É, contudo, equilibrar-se,


Ir aprendendo a julgar-se


A si mesmo, a ser conciso,


Em vez de armado em Narciso,


Julgar e, depois, gabar-se...


É questão de moderar-se


Porque, aos fracos, nunca eu piso;


Sem condenar, estudo e gizo


Se algo pode aproveitar-se...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 17.02.2017 - 12.54h


 


 


 


NOTA - Poema glosado em décimas, a partir do mote original de António Aleixo.


 

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