DE JUBA NEGRA A ESFREGONA

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 DE JUBA NEGRA A ESFREGONA
*

 

Nem espanador, nem vassoura...

Mais me parece um esfregão

Desses de limpar o chão,

O meu, que não viu tesoura

E há vários anos me agoura

Uma estranha antevisão;

Crescer tanto que a razão

Se me perca, porque estoura...

(Atenção! Nunca fui loura,

antes foi côr-de-carvão,

negrinha como um tição,

a minha juba de moura)

*


Agora, sal e pimenta,

Mas muito mais do primeiro,

Que o tempo é bom salineiro

E eu entrei pelos sessenta,

Há já quatro... macilenta,

Mas sem tempo, nem dinheiro

Para investir num tinteiro,

Desses em que a tinta assenta

Sobre esta ´massa cinzenta`

Que é o meu cabelo inteiro
*


Quis responder-lhe em soneto,

Mas só assim foi nascendo

E em décimas crescendo

Como esse cabelo preto,

Despenteado, obsoleto

Que aqui lhe fui descrevendo

E que branco já vai sendo

Porque um tempo bem concreto

Lhe deu conta do aspecto,

A "resposta" que eu pretendo.

 


 


Maria João Brito de Sousa

05.12.2016 - 15.19h


Conversando sobre cabelos com Maria da Encarnação Alexandre 


 


 


(Na sequência do soneto "DE ESPANADOR A TIGELA" de Maria da Encarnação Alexandre)


 


 


 


 


 





 


 

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