VIAGEM...
Não sei em que dia, ou noite,
cheguei ao topo do mundo...
Dormira o sono profundo
de quem fora del`se acoite
e, quando acordo, este açoite
dum espanto mais que fecundo!
Roída a dor - ou surpresa? -
da coisa por conhecer,
rói-me a mim, quase a doer,
esta (in)grata, mas coesa,
sensação de, estando presa,
poder voar, se o quiser...
E vôo, mantendo os pés
bem firmes neste meu espaço...
Vejo, pedaço a pedaço,
o mundo, de lés a lés!
Viajo dentro de mim,
mas, sempre que vôo assim,
tenho a força das marés...
Lá do fundo, um chão qualquer
que nunca dantes olhara,
não vendo a dor que me vara,
vem compelir-me a descer...
Não tendo nada a perder,
recuso... viro-lhe a cara!
Maria João Brito de Sousa - 01.09.2016 - 18.21h

Liberdade, presa... muito lindo!!
ResponderEliminarObrigada, Fashion!
EliminarNa verdade, toda a liberdade é relativa... e, afinal de contas, esta consciencialização de que toda a liberdade é relativa, é uma das pouquíssimas verdades que podemos considerar absolutas...
Abraço!
Sem dúvida.
EliminarTão bonito... tão bonito, amiga poesia, tão bonito.
ResponderEliminarJá não se escreve assim
Muito obrigada, António!
EliminarAinda há muito bons poetas e eu acredito que o António é um deles!