GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE VII

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CASA VELHINHA

Aquela casa velhinha


Foi um terno lar outrora


Teve nela uma rainha


Mas está sozinha agora



A entrada está fechada


Seco está o seu jardim


Nunca está iluminada


À volta, só tem capim



Sem cortinas nas janelas


Nem a roupa no estendal


Até as próprias estrelas


Parecem lhe querer mal



Às vezes olho pra ela


Oiço o riso das crianças


Percebo como foi bela


E tão cheia de esperanças


À noite à luz duma vela


Uma sopa fumegante


Saidinha da panela


Era seu manjar, bastante


 


Quando o dia clareava


Saltitavam de alegria


Até o galo cantava


Uma nova melodia


 


Quanto amor ali floriu


Debaixo daquele tecto


Porque será que partiu


Qual seria o seu trajecto



Aquela casa velhinha


Está só, abandonada


Deixou-a, sua rainha


Para sempre está fechada



Maria da Encarnação Alexandre


20/01/2016





CASA-MÃE





"Aquela casa velhinha"


Que, em tempos, me viu crescer,


Mora em mim, ainda é minha,


Mesmo sem nela eu viver...


 


"A entrada está fechada",


Mas há sempre uma saída,


Pr`a quem olha enamorada


A casa da sua vida;


 


"Sem cortinas nas janelas",


Posso entrar mais facilmente,


Através de todas elas,


Tanto em casas, quanto em gente...


 


"Às vezes olho pr`a ela"


E só de olhá-la, já estou,


Toda eu, dentro daquela


Que habitei, que me habitou...


 


"À noite, à luz duma vela",


Que em faltando outra energia,


Havia sempre, à cautela,


Forma de alongar-se o dia...


 


"Quando o dia clareava",


Entrava a luz, num rompante,


Na casa onde eu conquistava


Meus direitos de habitante


 


"Quanto amor ali floriu",


Quão desmedido esse enlevo...


Tão pouco a Casa pediu


E eu, à Casa, tanto devo...


 


"Aquela casa velhinha"


Que hoje é casa de outro alguém,


Era minha, era tão minha,


Quanto a minha própria Mãe...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 25.09.2016 - 10.59h


 

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