A PRIMEIRA VIAGEM DO POETA
I
Percorreu o mundo inteiro
quando esse mundo era, ainda,
uma selva agreste, infinda...
Caiu em muito atoleiro,
perdeu pé quando o ribeiro
que atravessava, na vinda,
de uma terra amena e linda,
num repente traiçoeiro
transbordou do seu carreiro,
teve a vida na berlinda,
II
Resistiu, sobreviveu
a mil coisas que eu nem sonho,
provou do que é mais medonho,
mas nem assim se rendeu...
Não houve terra, nem céu,
que não beijasse, risonho,
ou, vez por outra, tristonho,
não suspirasse, qual réu
de um tribunal* muito seu,
onde agora o pressuponho,
III
Pois cabe-me a mim, poeta,
fazer, desta narrativa,
uma história presuntiva,
mas possível e completa,
verosímil e concreta
para que o poeta a viva
e, numa Barca cativa,
se faça à rota secreta
que foi sua predilecta,
porquanto imaginativa...
IV
Aqui dou por terminada
esta primeira Odisseia
de um Poeta que se estreia
e que, sendo acidentada,
bem sei ser dura e ousada,
mas não bonita, nem feia;
Nunca ninguém a refreia,
mesmo quando ameaçada,
punida ou chantageada
por quem, de fora, a falseia...
Maria João Brito de Sousa - 24.09.2016 - 19.28h
*alusão à consciência

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