SONETILHO II
SONETILHO II
Fui rei da vida e da morte
num tempo em que era menino,
mas nunca cri no destino,
embora cresse na sorte...
Se fiz, de um verso, o meu norte,
vi-me em total tal desatino
quando o poema - o ladino... -
me exigiu; - "Melhor, mais forte!"
Tomei as rédeas da vida
muito antes de estar perdida
a força que trago em mim
E lancei-me na corrida
sabendo ser-me a devida,
esta, tão longa... e com fim...
Maria João Brito de Sousa - 30.08.2016 - 17.34h
Ao meu avô poeta, António de Sousa (saudando as águas, nesta fotografia)

Muito bonito o avô e o sonetilho.
ResponderEliminarMuito obrigada, Fashion!
EliminarEste avô a que me refiro, é o poeta António de Sousa que teve um percurso poético totalmente oposto ao meu, no que toca à forma.
Começou pelo soneto, na adolescência - era um brilhante sonetista... - e abandonou-o, nos seus tempos de faculdade, para se dedicar à poesia modernista. Hoje em dia, é tido, pelos conhecedores, como um dos grandes do Modernismo Português, mas não é, infelizmente, muito conhecido pelo grande público...
De facto não conheço, mas vou corrigir a minha falha.
EliminarPosso indicar um endereço bem melhor do que o meu bloguezito... :)
EliminarAquivai; http://www.carmovasconcelos-fenix.org/Escritores/Antonio-de-Sousa/Antonio-de-Sousa.htm
Agradecida. No entanto, deixe que lhe diga que gosto muito do seu cantinho.
EliminarObrigada, Fashion!
EliminarFaz do soneto rainha
ResponderEliminarMestre na rima e na chama
Dá roupa lavada e cama
A tanta alma daninha
Move montanhas sozinha
Nos versos, Vasco da Gama
Sulcando o mar que reclama
A fama que se lhe avizinha.
Jóias brilhantes no escuro
Pérolas no fundo do mar
que igualá-la não me aventuro
Um sentir maior, um altar
De espanto sincero, puro.
Um ramo onde poisar
António
Poeta António, fico-lhe muitíssimo grata por este excelente sonetilho!
EliminarPoeta das harmonias,
Das notas mais que perfeitas,
Das questões, das melodias
E das rimas- se as aceitas... -
Eu, a que aceita os seus dias,
A que os transforma em colheitas,
Agradeço e, se me vias
Como eleita entre as eleitas,
Te confesso que não sou
Nem rainha, nem princesa;
Sou, de um tempo que passou,
Mulher de candeia acesa
A nascer do que restou
Do pão que vos pôs na mesa...
Maria João