PRECISO DE NAVEGAR...

 


 


Ai que eu, agora,


Já nem sei meter travões


Tenho as rimas por paixões


Ouso versos compulsivos


 


Ai que eu, agora,


Nem sei se escrevo ou converso


Cabe-me a vida num verso


Não vendo pra tal motivos


 


E se isto fica


Para sempre a dar-me o mote


Não há motor nem há bote


Que me reconduza ao cais


Pois se isto fica


Será no mar deste mar


Que hei-de um dia naufragar,


Quando for tarde demais


 


Mas pouco importa


Naufragar se naveguei


Porque nele me aventurei


Se mais do que à vida o quis


 


Ah, pouco importa


Que o que importa é ter-se um rumo


Navegar provando o sumo


Que em nós há desde a raiz


 


Maria João Brito de Sousa - 29.08.2016 - 12.05h


 


(Imagem retirada da Web, via Google)

Comentários

  1. Querida Maria João

    A Musa renasceu em jovialidade e sem idade!
    e a mudança de velocidade
    mergulhou-me numa nova claridade!

    Beijo!

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    Respostas
    1. Olá, Lena B.

      Este poema é de 2016, por isso é que a Musa te pareceu mais jovem, rsrsrsrs...

      O Liberdades Poéticas é o blog onde coloco os poemas em verso branco ou livre, com ou sem rima.

      Estava a demorar, mas volta e meia sai-me um poema que cabe aqui, no espaço da poesia não metrificada.

      Um beijo!

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    2. AH!!! A juventude da Musa!!! Desculpas fofas, minha Querida... Acho que a idade já nada tem a ver com tempo e até começa a ultrapassar o espaço, ficando na nuvem do eterno agora!

      Continuo fascinada com essa tua Musa que, mesmo quando não está lá, está num 'dos outros lados' da mesma moeda.
      Continuo a repetir-me, enviando-te os meus sinceros Parabéns!
      Beijo

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    3. Obrigada, Lena B.

      Sendo a Musa um estado de espírito, não tem idade, efectivamente.

      Mas nós, humanos, como tudo o mais, temos uma idade biológica que mais tarde ou mais cedo deixaremos de poder tentar ignorar...

      Um beijo


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    4. Isso mesmo, Querida Maria João!

      Depois de uma dimensão básica (diria mesmo - primária) próxima da sobrevivência... , mas quando procuramos instalar-nos em multidimensionalidades superiores descobrimo-nos num mundo mais rico de possibilidades

      Podemos 'sonhar' e viver realidades cheias de cor e vida sem idade e onde os 5 sentidos já são ampliados - expandidos e onde temos acesso até a novas dimensões incríveis de cura ...

      A Meditação leva-nos para lugares superiores, campos paralelos e interligados de alta frequência de luz no qual tocamos o Paraíso...

      Saibamos manter-nos lá mesmo quando estamos aqui, é o meu mais forte desejo!

      Beijo das alturas interiores

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    5. Garanto-te que é possível viver no fio da navalha, no que à saúde física respeita, e escrever boa poesia. Claro que o mesmo não acontecerá a quem desde criança tenha sido impedido de desenvolver os seus talentos e competências, porque a fome, a segregação preconceituosa e a marginalização o não permitiram.

      Eu, embora tenha sobrevivido com quase nada nas últimas décadas da minha vida, tive uma infância muitíssimo privilegiada e isso permanece bem vivo em mim. Sempre soube mover-me à vontade nesse espaço a que chamas "alturas interiores", sem deixar de ter os pés bem assentes na dura realidade.

      Beijo grande

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  2. Querida, o fio da navalha é isso mesmo. Como as ondas do mar nunca param, também a vida não cessa de nos enviar experiências (demasiado dolorosas umas, mais benevolentes outras, muito privilegiadas outras... ) ! Assim temos acesso aos muitos contrários da Vida e, aceitando, vamos construindo mais Vida até nos 'enriquecermos em sabedoria... no Todo de que fazemos parte!
    Acredito muito nos outros planos que se interpenetram connosco num espaço (falta-me uma palavra melhor...) maior de Amor, no qual tudo fará sentido!

    Abraço ternurento em Paz!

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